Arte & Agenda

‘Streaming’ mostra as apostas para atração neste semestre

O panorama do segundo semestre nas plataformas revela que elas deixaram de competir apenas pelo maior ‘blockbuster’ e apostam também na diversidade

Adaptação literária ambiciosa, ‘Cem Anos de Solidão’ é baseada na obra-prima de Gabriel García Márquez
Adaptação literária ambiciosa, ‘Cem Anos de Solidão’ é baseada na obra-prima de Gabriel García Márquez Foto : Netflix / Divulgação / CP

O streaming já deixou de ser apenas uma alternativa ao cinema ou à televisão. Hoje, ele dita tendências, cria fenômenos globais, resgata clássicos, aposta em produções locais e transforma cada plataforma em uma identidade própria. O segundo semestre de 2026 confirma essa revolução. Mais do que disputar assinantes, Netflix, HBO Max, Disney+, Prime Video, Apple TV+ e Globoplay disputam imaginários, públicos e conversas. A diversidade de gêneros, países e narrativas revela que nunca houve tantas formas diferentes de contar histórias e de consumilas.

A Netflix segue apostando na amplitude de seu catálogo. Agosto é um retrato dessa estratégia. O mês mistura o encerramento de uma das adaptações literárias mais ambiciosas da história da plataforma, “Cem Anos de Solidão”, baseada na obra-prima de Gabriel García Márquez, com a despedida da aventura juvenil “Outer Banks”, cuja quinta temporada promete fechar um dos maiores sucessos da geração streaming. Ao mesmo tempo, há espaço para realities inusitados como “Sua Mãe Te Conhece?” e “Que Fria!”, romances asiáticos como “Quatro Mãos, Duas Sonatas”, dramas intensos como “Fatmagül: A Força do Amor”, além da chegada de séries consagradas como “The Tudors”.

Já no Apple TV+, a aposta é na força de uma marca consolidada. “Ted Lasso” retorna em 5 de agosto para sua aguardada quarta temporada, agora levando seu otimismo para o futebol feminino. Em um ano marcado pelo Mundial, a série reafirma que esporte também pode ser ferramenta para falar de humanidade, empatia e liderança. Poucas produções conseguiram transformar um técnico fictício em símbolo de esperança como ela fez.

A Disney+ continua expandindo o Universo Cinematográfico Marvel. “VisionQuest”, prevista para outubro, retoma, afinal, o Visão depois de recuperar memórias. A série amplia o lado filosófico da Marvel ao mesmo tempo em que prepara novas conexões para o futuro da franquia. É mais uma prova de que os super-heróis continuam sendo um dos grandes motores do entretenimento contemporâneo.

A HBO Max aposta na nostalgia e renovação. O Natal será marcado pela estreia de “Harry Potter: A Série”, que reinicia a adaptação dos livros de J.K. Rowling em formato seriado. A proposta é aprofundar personagens e acontecimentos que os filmes precisaram condensar. Trata-se de uma das produções mais aguardadas da década e, certamente, uma das que mais dividirão opiniões entre fãs apaixonados e uma nova geração de espectadores.

Já o Prime Video permanece investindo nas grandes produções épicas. A terceira temporada de “O Senhor dos Anéis: Os Anéis do Poder” promete acelerar a narrativa com a guerra entre elfos e Sauron, consolidando um universo que busca rivalizar com as maiores franquias da televisão mundial. É fantasia em escala monumental, sustentada por investimentos igualmente gigantescos.

O panorama do segundo semestre revela algo maior do que uma lista de estreias. As plataformas deixaram de competir apenas pelo maior blockbuster. Agora competem pela diversidade. Há espaço para fantasia, romance LGBTQIA+, literatura latino-americana, dramas históricos, realities, produções coreanas, super-heróis, épicos medievais e séries brasileiras.

Nunca foi tão evidente que o streaming deixou de ser um gênero para se tornar um ecossistema cultural. No fim das contas, a verdadeira disputa não acontece apenas entre Netflix, Disney+, HBO Max, Prime Video ou Apple TV+. Ela acontece pela atenção do público em um mundo onde existem histórias para todos os gostos, todas as idades e todas as culturas. O desafio é aceitar que será impossível acompanhar tudo o que há disponível nas telas. E talvez essa seja a maior prova de que vivemos época fértil na história do audiovisual.