Tem semanas em que o cinema chega como entretenimento. E tem semanas, como esta, em que ele chega como um espelho quebrado, daqueles que você evita olhar, mas não consegue ignorar. Nesta semana, os lançamentos querem cutucar.
Um dos destaques é novo thriller nacional, “Barba Ensopada de Sangue”, dirigido por Aly Muritiba. No elenco, Gabriel Leone e Thaina Duarte, vivem um drama que leva para as telas a atmosfera densa, sombria e suspense psicológico do romance homônimo de Daniel Galera. Na trama, Gabriel, um professor de natação, após a morte do pai, retorna à antiga casa da família em uma vila à beira-mar para investigar o assassinato do avô. É quando mergulha em segredos locais e múltiplas versões da mesma história. Com forte carga de suspense psicológico, o longa constrói um thriller sobre identidade e memória, com foco na chegada de Gabriel à cidade e os enigmas que a cercam.
O filme do Aly Muritiba ganhou Kikito de Melhor Montagem no 52º Festival de Cinema de Gramado de 2024. Muritiba, que também já mostrou seu talento em trabalhos como “Deserto Particular” e “Cangaço Novo”, costuma apresentar um cinema com viés social e olhar humanista. Ganhou destaque também com filmes como “Para Minha Amada Morta” e “Ferrugem”, exibidos e premiados em festivais internacionais, como Sundance e Veneza. Com uma trajetória marcada por narrativas intensas e personagens complexos, não para de produzir e já tem obras prontas que devem ganhar as telas em breve.
Também estreia “A Cronologia da Água”, quase um confronto físico. Não é um filme para “entender”, mas para sentir, e, muitas vezes, suportar. A direção da também atriz Kristen Stewart constrói narrativa fragmentada que recusa linearidade. Na tela o trauma não segue roteiro. A dor invade de forma intensa e a memória não é confiável. A história de Lidia não busca redenção fácil. Pelo contrário, ela expõe o desconforto de existir dentro de um corpo marcado. É cinema que arranha. Que incomoda. Que insiste. E talvez o mais radical é que não tenha medo de ser feio, confuso e contraditório. Exatamente como se dá a vida real.
Confira o vídeo:
Destaque ainda para a estreia da produção “A Última Ceia”, que conta com direção de Mauro Borrelli e com Jamie Ward no elenco. A história trata de apresentar uma abordagem íntima e emocional dos momentos que antecedem a prisão e a crucificação de Cristo. Com experiência no departamento de arte de grandes produções como “Piratas do Caribe”, “Star Wars: Os Últimos Jedi” e “Os Oito Odiados”, Borrelli imprime uma narrativa visualmente impactante, com estética simbólica e forte trilha sonora.
E então, quase como respiro, ou fuga, estreia “Super Mario Galaxy: O Filme”. Mas não se engane, pois até aqui há algo a ser questionado. Em meio a cores vibrantes e aventura intergaláctica, está a necessidade de escapar. De salvar mundos simples, onde o bem e o mal são claros e o herói sempre vence. Talvez o sucesso de Mario diga mais sobre a gente do que sobre animação que conquista bilheterias no mundo inteiro.