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Surdomundo Imposible Orchestra é atração no Em Cena

Gaúcho Arthur de Faria integra o grupo, formado por sete músicos do Mercosul

Surdomundo Imposible Orchestra é atração no Em Cena
Surdomundo Imposible Orchestra é atração no Em Cena Foto : Fernanda Chemale / Divulgação / CP
A música inventiva e de qualidade produzida no Sul da América do Sul é a matéria-prima deste quase impossível encontro entre sete músicos/compositores de Brasil, Uruguai e Argentina que resultou na possível Surdomundo Imposible Orchestra, que será a atração musical desta quarta e quinta-feira, às 21h, no Teatro do Bourbon Country (Tulio de Rose, 80, 2º andar). Informações sobre ingressos no site do festival: www.poaemcena.com.br.

A ideia original partiu do jornalista e músico gaúcho Arthur de Faria e do produtor argentino Carlos Villalba. O repertório é composto de composições marcantes do universo de cada um dos músicos, além de outras contribuições como, por exemplo, de Adoniran Barbosa. Além de Arthur de Faria (autor de "Maria Antonica"), participam do show os músicos Martín Buscáglia, Maurício Pereira, Tata Dios, Ignácio Varchausky, Osvaldo Fattoruso e Caito Marcondes.

Em entrevista ao Correio do Povo, Arthur de Faria fala sobre a ideia da Surdomundo, do repertório, do sentimento a respeito deste encontro musical e sobre novos projetos da orquestra:

Correio do Povo - De quem foi a ideia e como foi a execução do projeto do Surdomundo até a primeira apresentação realizada em julho deste ano?
Arthur de Faria -
Num primeiro momento, minha e do produtor argentino Carlos Villalba. No segundo seguinte, o Pereira (Maurício) e o Ignacio (Varchausky) já estavam na nossa primeiríssima lista. O resto foi chegando por aproximação. Eu já tinha tocado com o Sued (Martín) num show em São Paulo e gravado ele no disco da Vanessa Longoni. O Buscaglia (Martín) tanto eu quanto o Pereira gostávamos muito dele e, ao que parece, a recíproca era verdadeira (e a gente só tinha se falado por myspace). Aí, quando o baterista original, que era pra ser o Ricardo Arenhaldt, não pôde, convidei os dois caras mais fodões com quem eu queria trabalhar. Pra nossa surpresa, ambos toparam e responderam em poucas horas. Aí perguntei para os rapazes como escolher entre Caíto (Marcondes) e Osvaldo Fattoruso? Obviamente, ficamos com os dois!

CP - Como está composto o repertório do show do Porto Alegre em Cena (músicas, tempo de duração, achados, versões com arranjos muito diferentes etc)?
Arthur -
São 15 músicas, mais ou menos. As 13 do show que fizemos na Argentina, mais um clássico uruguaio ("Candombe para Gardel", do Ruben Rada, que o Nei Lisboa já gravou), uma música do Villalba e uma que outra novidade, que ainda tamos testando (tem mais 2 ensaios). O show dura 1h15min, 1h20min. Das 13 músicas, 12 são da gente. Todos são compositores. Tem inéditas de cada um e tem novos arranjos de músicas já gravadas. Com arranjos muito diferentes.

CP - Esta reunião de músicos de Brasil, Uruguai e Argentina vem muito ao encontro daquela premissa que desenvolvemos em outras entrevistas que existe mais proximidade entre os músicos do Mercosul do que até com músicos norte-americanos e europeus. Qual são os elementos norteadores desta união?
Arthur -
Afinidades eletivas. Que nem poema do Drummond: fulano gosta de sicrano que ama terciano que nunca ouviu falar no iPod Nano e , e assim vamos... Mas também com o foco de ter integrantes das quatro principais cidades do Sul do continente: Montevidéu, Buenos Aires, Porto Alegre e São Paulo.

CP - O time formado pela Surdomundo Imposible Orchestra é de primeira linha. Como está sendo reunir todo mundo para ensaios, gravações, shows etc (sentimento do músico, do jornalista, de estar fazendo história)?
Arthur -
Foram três anos até conseguir fechar o time e as datas pra gente se encontrar uma semana em março, em Buenos Aires, pra se conhecer e ensaiar. E, pra surpresa de todos, não só a liga musical, mas também a pessoal se deu às mil maravilhas. Todo mundo se gostou muito. E temos de 27 a 63 anos, três cidadanias, duas línguas e gêneros musicais de base muito diferentes. Não sei se Deus existe. Mas se existe, valeu aí, magrão!

CP - Quais os próximos projetos e/ou shows da orquestra?
Arthur -
Depois de Porto Alegre tem o Auditório Ibirapuera, em São Paulo. Aí a meta em 2011 é Montevidéu, alguma coisa de Europa e gravar um disco ou DVD. Vamos ver o que conseguimos disso tudo. O mais importante é que começamos um projeto e agora temos uma banda.

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