Arte & Agenda

Suspense canadense entra em cartaz na Cinemateca Capitólio

"Antologia da Cidade Fantasma” é dirigido por Denis Côté

No filme, moradores de pequena cidade ficam atordoados após ficarem cercados por neve
No filme, moradores de pequena cidade ficam atordoados após ficarem cercados por neve Foto : Zeta Filmes / Divulgação / CP

Do Canadá, chega a Porto Alegre “Antologia da Cidade Fantasma”, dirigido por Denis Côté. A história começa com a morte de um personagem, Simon Dubé, em um acidente de carro em Irénée-les-Neiges, cidade pequena e isolada com uma população de 215 habitantes. Com 97 minutos de duração, o longa estreia na Cinemateca Capitólio (Rua Demétrio Ribeiro, 1085, esquina com a avenida Borges de Medeiros), na sessão das 20h10min

No filme, em período de inverno e cercados de neve, os moradores, atordoados, mostram-se relutantes em discutir as circunstâncias da tragédia. Daquele momento em diante, tanto para a família Dubé quanto para várias outras pessoas, tais como a prefeita Smallwood, o tempo parece perder todo o sentido e os dias se arrastam sem fim. Algo desce lentamente sobre a região. Nesse período de luto e nessa neblina, estranhos começam a aparecer. Quem são eles? O que está acontecendo? 

O diretor do filme, Denis Côté, é um ex-crítico de cinema, produtor e cineasta independente. Seu primeiro longa-metragem, “Les États Nordiques” (2005), recebeu o Leopardo de Ouro no Festival de Locarno.“Antologia da Cidade Fantasma” é livremente baseado no livro “Répertoire Des Villes Disparues”, de Laurence Olivier. O cineasta explica que o que o inspirou a fazer este novo filme foi a cidade de Quebec dos dias atuais.

Medo do outro

O medo do “outro” conduz o roteiro. “Sinto que, hoje, as pessoas sentem muito medo de perder a sensação de conforto que a terra natal oferece. Este medo se apresenta de várias maneiras e nossa resistência à mudança é feroz”, contou. Interessam ao cineasta temas como a crise migratória, a relutância em se abrir para outras pessoas e o fechamento identitário.

E complementa: “o livro de Laurence Olivier é uma coleção poética sobre extratos de vida e estórias desconexas; tentei manter este espírito. As mudanças e lágrimas que ocorrem no tecido social são fenômenos fascinantes, então, criei uma estória com buracos nos quais o sobrenatural pode se infiltrar, introduzindo vários anticlímaxes”. 

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