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André Curti e Arthur Ribeiro e os atores convidados Maria Adélia e Matías Chebel interpretam o pai, o filho, Angelo, a governanta, Olga, e o cego, Orlando, cujas histórias contadas de forma não linear se cruzam por meio de desejos, conflitos, culpas e segredos. "São histórias gestuais sobre a ambiguidade das relações humanas e a busca da identidade. O espetáculo equilibra-se entre dois abismos: o da necessidade de dizer quem somos e o do desejo", afirma André. A incompreensão mútua e os segredos do passado pautam a relação entre pai e filho, que travam um embate surdo em busca de afirmação e reconhecimento. Já Olga partilha com o patrão o segredo, e Ângelo, por sua vez, vive clandestinamente sua verdadeira identidade: o travesti Angel, que à noite encanta, com sua voz, a plateia de um cabaré. Um de seus fãs é Orlando, de quem acaba se aproximando.
O espetáculo estreou em Paris e em 2010 fez temporada de três meses no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, seguindo para Brasília, onde ficou por um mês. Ele dá continuidade à pesquisa da dupla de criadores, em 1997, batizada de teatro gestual, em que o gesto se sobrepõe à palavra e usando o corpo como principal veículo. A companhia foi fundada em 1998 e, desde o início dos anos 90, se radicou na França, colecionando, desde então, prêmios e elogios de plateias de todo o mundo, com o vigor estético de um teatro sem palavras.