"Tinha apenas uma ideia (do que o filme devia ser), não tinha a solução nem sabia como fazê-lo, mas acabou sendo algo que projetou o uso da CG (computação gráfica). Foi um divisor de águas", comentou o cineasta, que compartilhou a mesa de debates com o diretor mexicano Alfonso Cuarón. Criar uma tecnologia para conseguir um filme ao invés de criar um filme partindo da tecnologia que já existe é como "dar um salto no escuro", explicou. "É por isso que temos tantos cabelos brancos", brincou Cuarón, que vai estrear este ano "Gravidade", um filme de ficção científica que também fez uso desta nova tecnologia.
As ferramentas técnicas para fazer cinema "são cada vez melhores e isso me emociona muito", afirmou Cameron, descartando revelar os truques que tornaram "Avatar" possível, pois ao conceber este filme "queria que fosse um sonho coletivo". Ele antecipou que utilizará essa tecnologia nos filmes em que está trabalhando: "Avatar" 2 e 3, assim como "Battle Angel", um filme baseado no mangá japonês do mesmo nome, que fala de "uma época de transumanos e o que implica um estado rápido de evolução".
O cineasta incentivou os jovens a criar suas próprias obras cinematográficas agora que "as novas ferramentas tecnológicas são mais democráticas e permitem que se faça um filme quase de forma instantânea".
Cameron enfrenta atualmente um processo por um suposto plágio utilizado em "Avatar", um fime que valeu inúmeros prêmios Oscar e que se transformou na maior bilheteria da história do cinema, com 2,7 bilhões de dólares arrecadados em todo o mundo. Em seguida vem "Titanic" (1997), também de Cameron, com 2,2 bilhões.
"Gravidade", de Cuarón, abrirá o 70º Festival de Veneza, que acontece de 28 de agosto a 7 de setembro. O filme de Cuarón, apresentado como "um dos diretores mais apreciados de sua geração", será exibido em 3D no dia 28 de agosto na grande sala do palácio de cinema no Lido de Veneza.