Em menos de seis meses depois de sua última apresentação solo em Porto Alegre, Criolo retorna nesta quarta e quinta para dois shows no Opinião (José do Patrocínio, 834). O rapper lançou no final do ano passado o disco “Convoque seu Buda”, trabalho focado no rap, mas com inclusões de diversos estilos como o samba e o reggae de canções como “Pé de Breque” e “Fermento pra Massa”.
Em um papo pelo telefone na tarde desta terça-feira, Criolo, de fala mansa, refletiu sobre o seu processo de composição, a parceria com Ivete Sangalo e como ele se relaciona com o público gaúcho. Confira!
Em “Convoque seu Buda” você voltou um pouco mais para as suas origens do rap. Como foi a recepção do público em relação às novas canções?
O público aceitou muito bem, pois as minhas letras são sempre muito positivas, feitas com o coração.
Você compôs uma canção para Gal Gosta recentemente. Como foi esse trabalho e como você ajusta seu processo de composição?
O Milton Nascimento me ligou e me pediu um texto porque a Gal queria uma canção dele no disco. E assim nasceu. Não é algo que eu planeje, compor letras para outros artistas, mas as coisas simplesmente acontecem e eu só tenho que agradecer a essas oportunidades. Em relação ao processo, tudo vem ao mesmo tempo, não tem hora. Pode ser de madrugada, de manhã, de tarde ou de noite. As ideias aparecem de algo que me emociona e que toma o meu coração, aí as coisas acabam acontecendo.
Como foi trabalhar ao lado da Ivete Sangalo na homenagem ao Tim Maia?
Foi uma nova experiência, algo muito bacana que tivemos o prazer de vivenciar. Ela possui uma humildade muito grande então todo o processo foi bastante tranquilo.
Você gostaria de repetir a dose homenageando outro ícone da música? Quem você escolheria?
Não consigo nem mensurar isso… só tenho a agradecer os presentes que essas parcerias e que a música me dá. Deixa que o destino cuide das coisas.
Os seus shows possuem valores de ingresso acessíveis. Por outro lado, estamos vivenciando uma época em que algumas apresentações chegam com valores astronômicos ao público. O que você acha desse caminho do showbiz?
Na verdade eu venho de uma cena independente, do rap, e não tenho muita referência. O que sei é que trabalhar com música no nosso país é complicado, isso não é prioridade. Mas claro que tudo que existir pra facilitar o ir e vir de todos é o melhor, mas cada artista tem a sua história e sua forma de trabalho.
E como é a sua história com o seu público?
Como assim meu público? Acho complicado falar “meu público” porque assim você separa as pessoas e isso é algo que eu não faço. Não tenho preconceitos com nenhum tipo de pessoa. Falo com quem quiser ouvir a minha arte, canto uma canção de luta para a melhoria de todos. Fora isso, disponibilizo meus discos de graça na internet, porque falar de arte e cultura num país de fome como o Brasil chega a ser piada.
Os seus três últimos shows em Porto Alegre lotaram, chegando a ter datas extras. Como você enxerga a recepção do público gaúcho, que carrega o rótulo de ser uns dos mais roqueiros do país?
Eu tenho muita gratidão pelo público gaúcho. Porto Alegre é um lugar do país que gera um pensamento, que tem muita cultura, jovens muito atentos ao que acontece e criando muito também. Só tenho boas impressões desse público pelo modo como sou acolhido, pela forma como cada pessoa daí me recebe.
Você já tocou no Central Park para 5 mil pessoas e, recentemente, esteve em turnê pela Europa. O que você levou daqui para o público de lá?
Fui lá mostrar pra eles que no Brasil existem jovens que buscam a melhoria para todos, levei toda a energia da nossa geração, dessas pessoas que querem o bem pro mundo, isso que eu fui gritar pra Europa.
“Tenho muita gratidão pelo público gaúcho”, diz Criolo
Rapper retorna a Porto Alegre com shows nesta quarta e quinta no Opinião