Com direção da sueca Bim de Verdier, que assina a tradução com Nestor Correia, “Terra Medeia”, da também sueca Sara Stridsberg, ganha versão on-line a partir deste final de semana. A atriz Nicole Cordery protagoniza o trabalho, com sessões gratuitas até 13 de junho, sábados e domingos, às 17h, pelo site. www.plataformateatro.com.
O espetáculo acontece ao vivo e os atores se dividem entre três países. Nicole Cordery e Renato Caldas do estúdio do fotógrafo João Caldas, em São Paulo; Bim de Verdier da Suécia; Rita Grillo da França e André Guerreiro Lopes e Daniel Ortega de suas casas, no Brasil. A autora acompanha a tragédia clássica escrita por Eurípedes há quase 2500 anos; mas situada no mundo contemporâneo e, ainda assim, fora de tempo e espaço. Nesse enredo, onde a realidade se mistura com o sonho, Medeia é uma imigrante que, abandonada por seu marido, também perde o direito de viver no país dele.
A ideia do projeto surgiu do “Dissecar uma Nevasca” (2015), espetáculo da mesma autora bem recebido pelo público e crítica, o que motivou Bim e Nicole a fazerem mais um trabalho juntas, da mesma dramaturga e com a mesma equipe. A peça, escrita originalmente para o Teatro Nacional da Suécia, onde estreou em 2009, ilustra como alguém rejeitado no amor e na sociedade pode perder o chão e se tornar perigoso. A autora não escreve sobre pessoas extremas, mas sobre pessoas sensíveis em situações extremas. Traduzida em mais de 25 idiomas, seus romances e peças tratam de mulheres em luta por liberdade e contra as condições que a sociedade impõe. “É uma tragédia que conta sobre a própria Terra e sobre a sociedade, que não oferece proteção para quem está em perigo e busca refúgio. Um mundo onde o mais frágil e o mais valioso pode ser sacrificado e descartado”, afirma ela. Já Nicole se impressiona como a personagem virou símbolo da mulher no limite de sua humanidade. “Estamos vivendo tempos trágicos. Não é por acaso que muitos artistas no mundo todo estão se voltando para as tragédias gregas. Aprendemos com elas. As pessoas precisam se reunir, mesmo que de forma virtual, para chorar seus mortos, para lamentar seus destino”, conclui.