Arte & Agenda

Terra sem Mapa celebra um ano de estreia com apresentações na Zona Cultural a partir de 14 de junho

Espetáculo vencedor do Açorianos de Melhor Ator de 2023 retorna a cartaz até 30 de junho

Programação conta com conversa sobre o espetáculo no sábado, 22 de junho, e sessão com renda revertida em doação para a cozinha solidária da Azenha
Programação conta com conversa sobre o espetáculo no sábado, 22 de junho, e sessão com renda revertida em doação para a cozinha solidária da Azenha Foto : Renata Stein / Divulgação / CP

Após um ano de sua estreia, em maio de 2023, o espetáculo Terra sem Mapa retorna ao espaço onde iniciou sua trajetória nos palcos da cidade, com temporada na Zona Cultural a partir de 14 de junho. Vencedor do Açorianos de Melhor Ator, o projeto conta com programação especial, que promoverá conversa com Guacira Lopes Louro, além de ações beneficentes que terão renda revertida para coletivos de artistas e a cozinha solidária da Azenha.

Dois personagens, Vrum e Luba, interpretados por Sergio Lulkin e Mirna Spritzer, estão no porto, diante de um navio que parte ao desconhecido. Exilados, atravessam os longos caminhos da memória. Habitantes de diásporas sem fim, recordam fragmentos de uma história passada: lendas, fotos, cartas, canções. Praguejam e dançam. É hora de partir, eles embarcam em direção a uma terra sem mapa. Prometem retornar daqui a 200 anos.

Terra sem Mapa traz o tema fundamental da migração. Travessias e exílios em sua maior parte em busca de sobrevivência de populações ameaçadas por guerras, fome e perseguições. Gente que, ontem e hoje, se lança ao mundo sem garantia de conseguir viver, pela esperança de um novo lar. Migrantes ou refugiados, exilados ou escravizados, são pessoas que fizeram e fazem a história desta que hoje consideramos a Nação Brasileira. No espetáculo, dois narradores procuram reviver tantas memórias suas e de outros, histórias de quem partiu e de quem aqui chegou. E de também dos que se perderam. Viajantes de um tempo imaginado esses personagens trazem à tona uma trama de existências que que poderiam ser as de muitas famílias e que fazem com que o público se sinta afetado em sua própria história. Poucos temas são tão candentes hoje como o movimento incessante de povos pelo mundo. São botes, barcos, navios, trens, aviões de carga.

O espetáculo é feito de humor e melancolia, palavra e silêncio. Entre bênçãos e pragas, os personagens dançam suas lembranças e miram as estrelas, trazendo a criação teatral em sua forma essencial, os artistas em contato com o público, uma narrativa que convida o espectador a ser um ouvinte próximo. Contracenação entre eles, com a luz e com o som.

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