A trilogia nasceu do desejo do autor de resgatar os sentimentos de sua geração ao assistir o desenho "Caverna do Dragão". Draccon buscou uma história juvenil, rodeada de elementos sombrios. Na trama, sete jovens – cada um em diferentes estágios na transição da adolescência para a vida adulta – estão envolvidos em uma caça às bruxas. O caminho dos personagens é o amadurecimento. "Se os personagens ainda estão imaturos no primeiro livro, em 'Círculos de Chuva' eles transformam-se em homens," disse o autor.
Palestra
Raphael Draccon fala sobre a literatura de entretenimento e fantasia do Brasil, às 19h, na Sala dos Jacarandás, ao lado de Eduardo Spohr, Leonel Caldela e Carolina Munhóz. Para ele, mesmo que a literatura fantástica seja encarada como de entretenimento em uma leitura a princípio escapista, obras fantásticas são cativas em metáforas de uma filosofia sobre algo maior. "As pessoas reconhecem que, independente do cenário que se apresente, os personagens mantêm os mesmos conflitos e anseios, no que a gente reconhece como realidade de nosso mundo. Uma história com um dragão a ser vencido é a história da coragem que pessoa precisa para enfrentar aquilo, até o fim, mesmo com a saudade da pessoa amada".
Segundo o autor, uma narrativa de horror ou fantasia é feita da busca por sentimentos que consolidem o espírito humano. "Tanto que uma criança leva para a vida adulta esses sentimentos ficcionais. Consegue imaginar que, se um órfão com tatuagem na testa teve coragem de seguir o destino dele, ele também consegue. Isso é o que a magia faz", afirmou.
Novo livro
Draccon lança seu quarto livro dia 20 novembro – não ficou pronto a tempo para a Feira. Convidado pela editora portuguesa Gai para participar da primeira leva de publicações sobre mitos urbanos da editora, Draccon seguiu a proposta e o limite de caracteres. O resultado é "Espírito de Gelo", a partir da lenda urbana em que um homem está no bar com uma desconhecida, toma um "boa-noite cinderela" e acorda na banheira com o telefone do hospital ao lado. Seu rim foi retirado.
No livro, o personagem acorda numa sala de interrogatório, fica sabendo que foi encontrado em uma banheira de gelo mas não lembra de nada por estar em choque traumático. Os policiais partem do princípio que vão causar um trauma ainda mais violento com tortura, mas o pior tormento do personagem pode ser lembrar do que passou e aprender com isso.