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Terror e amor dominam as temáticas dos lançamentos nos cinemas

Nas produções “O Ritual” e “Amores Materialistas”, as estreias de cinema desta semana são diretas e intensas

Dakota Johnson e Pedro Pascal no filmes Amores Materialistas
Dakota Johnson e Pedro Pascal no filmes Amores Materialistas Foto : Sony Pictures / Divulgação / CP

A partir desta quinta-feira, 31, o cinema mergulha em dois lançamentos que prometem estremecer os corações, por motivos bem distintos. De um lado, “O Ritual”, uma jornada tensa pelo inferno da fé e da possessão; do outro, “Amores Materialistas”, uma comédia dramática que aposta no olhar contemporâneo sobre os relacionamentos amorosos. Dois filmes que exploram, com intensidade, os extremos da experiência humana: o terror do mal absoluto e a busca de um relacionamento amoroso que dê conta de expectativas pessoais e sociais.

“O Ritual”, com a atuação potente do astro Al Pacino, surge como herdeiro direto de uma tradição que moldou o gênero do terror no cinema desde seus primórdios. Da aura maldita de “O Exorcista” à sofisticação psicológica de “O Babadook”, o terror religioso sempre expôs as rachaduras da fé, os silêncios da igreja e o medo do invisível. Inspirado em uma história real, o filme acompanha dois padres que encaram não apenas uma jovem possuída, mas suas próprias falhas, culpas e dúvidas. Um deles sofre com a perda da fé, o outro carrega traumas antigos – e ambos são obrigados a enfrentar o mal em sua forma mais pura.

Mais do que o espetáculo do exorcismo, o filme promete uma dissecação moral e espiritual de seus protagonistas. E é nessa dualidade, fé e falência, coragem e covardia, que o terror encontra sua força. Com uma sequência de exorcismo descrita como arriscada e intensa, “O Ritual” posiciona-se como um novo marco no cinema sobrenatural contemporâneo, em sintonia com um público que busca horror com peso dramático e questionamentos reais.

Em “Amores Materialistas”, Celine Song, a diretora que comoveu o público com a delicadeza existencial de “Vidas Passadas”, troca o discurso. Aqui, o amor não é nostalgia nem destino: é contrato, planilha, investimento. Lucy (Dakota Johnson) trabalha como casamenteira de elite em uma agência que transforma relacionamentos em produtos altamente rentáveis. Tudo é mensurável: beleza, profissão, salário. Nada escapa à lógica do capital. O amor virou um pitch de vendas. No meio disso, Lucy conhece Harry (Pedro Pascal), um milionário encantador, e reencontra John (Chris Evans), seu ex-namorado falido, garçom e aspirante a ator. A fórmula de triângulo amoroso é só isca: o que Song entrega é um comentário afiado sobre como o capitalismo molda até nossos afetos.

O filme é direto, cínico e, em certos momentos, incômodo. A direção de Song é fria e calculada, mas precisa, como o algoritmo que seleciona os pares ideais. As atuações também colaboram: Dakota Johnson equilibra charme e pragmatismo com precisão, Pascal traz uma vulnerabilidade sutil ao seu “príncipe moderno”, enquanto Evans mostra um tipo de fracasso que o cinema costuma maquiar. “Amores Materialistas” incomoda porque escancara uma verdade que preferimos romantizar: talvez estejamos mesmo escolhendo parceiros como escolhemos um plano de saúde, buscando segurança, benefícios e estabilidade. E, nesse cenário, quem se apaixona está fora do jogo.

Acompanhe as dicas de cinema e streaming de Marcos Santuario no Correio do Povo Play:

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