Incendiário, imprevisível e profundamente autoral, “Mais de Mil Palhaços no Salão”, do selo Monstro Discos, foi gravado em 2014 no Estúdio Gorila, em Porto Alegre, com produção de Edu K e operação de áudio de Edo Portugal, mas chega ao mundo apenas agora, e ainda soa como se viesse do futuro. TESS já lançou diversos trabalhos solo, e se destaca por sua fusão entre referências do cenário Mod dos anos 60, influências contemporâneas e uma linguagem artística sempre em transformação.
Para fazer jus a esse trabalho tão inovador, nada como um show de lançamento em grande estilo, na Segunda Maluca no Teatro de Câmara Túlio Piva (Rua da República, 575). A apresentação ocorre nesta segunda-feira, dia 8, às 20h. Ingressos na Sympla.
“Esse disco nasceu como uma rebelião criativa. Era 2014, eu estava em um turbilhão artístico e emocional. Nunca quis fazer música que fosse só agradável, quero provocar, fazer dançar e pensar ao mesmo tempo”, afirma Tessler. Com mais de uma década de gestação, o álbum é uma síntese do caos contemporâneo em forma de som: um cruzamento eletrificado entre o groove de James Brown, o ataque visceral do punk, a psicodelia urbana dos Chemical Brothers e o balanço cósmico de Tim Maia Racional, tudo embalado por um espírito provocador e politizado.
“Mais de Mil Palhaços no Salão” foi antecedido por três singles de forte impacto, que funcionam como cartas de apresentação dessa nova fase. O primeiro deles, “Meus Pés Não Estão no Chão”, com beat hipnótico e guitarras espaciais, funciona como um mantra urbano e lisérgico. “É uma música que paira entre a dúvida e a epifania. Tem algo de existencialismo nela, mas também uma vontade de flutuar acima do concreto das cidades”, explica Tessler. Já “Combustível Interestelar” é um hino interplanetário da desilusão moderna, onde groove e punk colidem sob um céu psicodélico. “É como se o James Brown e o Rage Against The Machine tivessem se encontrado em órbita. É raiva, é libertação, é pista de dança espacial”, resume o artista. “V.S.F”, o terceiro single, tem deboche, urgência e ironia dando o tom da faixa mais direta do álbum. “A ideia era fazer um rock eletrônico sem filtro, cru e dançante. Essa música não pede desculpa, é um dedo na ferida do moralismo e da apatia”, dispara Tessler.
O show em Porto Alegre marca o retorno ao palco de um dos nomes mais inventivos do novo rock nacional. TESS surgiu no underground gaúcho em 2012, após o fim da banda Os Efervescentes, e se firmou em São Paulo como um projeto solo inquieto e colaborativo, com passagens por festivais e colaborações com nomes nacionais e internacionais. Em “Mais de Mil Palhaços no Salão”, Daniel Tessler prova que o tempo pode ser aliado da ousadia, e que ainda há espaço para discos que são, antes de tudo, experiências. “Esse disco é sobre romper. Romper com o silêncio, com a mesmice, com a indústria. É um manifesto de que o rock, mesmo mutante, ainda é um território livre para se inventar”, finaliza Tessler. Neste show, o artista sobe ao palco acompanhado por Ezequiel Guarnieri no baixo, Gustavo X na guitarra, e Leandro Schirmer na bateria. O show terá a participação de Edu K.