Em quase três horas, a banda tocou perfeitamente as principais músicas do lendário grupo britânico. A impressão que se teve é de que estávamos escutando os discos originais.
Não ficaram de fora nem mesmo algumas pérolas dos dois últimos discos de estúdio do Pink Floyd, como “Learning to FlY”, “High Hopes” e “What Do You Want From Me”, e até mesmo clássicos sessentistas, incluindo a vibrante Arnold Lane e a psicodélica Set the Controls For The Heart Of The Sun. Eu, como fã de carteirinha desde adolescente, quase sofri um infarto ao escutar “Comfortably Numb”, o último clássico antes do bis.
Tudo começou exatamente às 21h com “Welcome to the Machine”. Depois, a The End executou todo o lado 1 de “The Wall”, de 1979. Sim, escrevo lado, pois a maioria do público presente no Teatro Bourbon Country certamente ouviu Pink Floyd no vinil e The Wall era um disco duplo.
O viajandão “The Dark Side of the Moon” foi brindado para a galera com as indefectíveis Money, Time, Eclipse e Us and Them. E aí os fãs foram ao delírio quando a excepcional vocalista negra Durga McBroom soltou o gogó em “The Great Gig in the Sky”. Ela é ex-integrante do próprio Pink Floyd (era uma das backing vocals). Durga, por sinal, foi a nota máxima do show do The End. Além de excepcional vocalista, é simpática, comunicativa, brincalhona. Tentou arriscar algumas palavras em português, não conseguiu, então fez questão de voltar ao seu inglês, mas falando devagarinho para todo mundo entender. Outro que fez parte da banda inglesa e agora está com os argentinos é o baixista Guy Pratt.
A maior agitação no show ocorreu quando da execução de “Wish You Were Here”. O vocalista Gorgui Moffatt desceu do palco, foi até a plateia e colocou um dos fãs a cantar junto. “Shine Crazy Diamond” também emocionou. E o teatro quase veio abaixo quando da última música, já perto da meia-noite: “Run Like Hell” pôs todo mundo a pular e Gorgui e Durga correram enlouquecidos entre as poltronas, cumprimentando todo mundo. Duas fãs conseguiram chegar ao palco e dançar com a banda. Aliás, essas duas figurinhas nem pareciam estar gostando do show, pois passaram quase todo o tempo conversando e rindo em voz no fundo da plateia.
Outra coisa estranha que acontece nos shows é em relação às máquinas fotográficas. Tem gente que não vê o espetáculo, preocupando-se apenas em filmar para ver em casa. Acaba não curtindo a vibração vinda do palco. E tinha até um sujeito que quando rolava a parte 1 do “The Wall” abriu seu laptop e ficou jogando. Tudo bem não gostar do disco, mas aí já é abuso. Tirando isso, o resto foi perfeito, pois foram quase três horas do mais puro êxtase. Um verdadeiro presente de natal antecipado.