Em entrevista ao Correio do Povo, a vocalista Sónia Tavares prometeu "uma grande festa" aos gaúchos, "cheia de emoções, de alegria, de cor". Ela falou ainda sobre as referências da banda, as letras, a homenagem ao Legião Urbana que será feita no show com uma versão de “Índios”, além do momento atual do fado, o produto de exportação de Portugal.
Formado em Alcobaça em 1994, o The Gift conta ainda com Nuno Gonçalves (teclados), John Gonçalves (teclados e baixo) e Miguel Ribeiro (guitarra e baixo). Banda terá como músicos convidados no show o baterista Mário Barreiros e os guitarristas Israel Pereira e Paulo Praça. O disco “Explode” foi lançado no Brasil pelo selo Coqueiro Verde. No repertório estarão as músicas do disco como “Let it Be By Me”, “The Singles”, “Primavera” e “My Sun”, além de clássicas como “Fácil de Entender” e “Driving you Slow”
As letras falam de sentimentos, de esperança, de alegria e de referências de rock alternativo, como em “The Singles”: “Por que copiar os Talking Heads e colar no "Radiohead"?. Por que não descobrir o "The Full Sentence" dos Pigeonhed. (banda de Seattle, EUA)”. A capa do disco mostra povos de diversas etnias, com roupas multicoloridas. Em 2005, o grupo recebeu o Prêmio Arco-Íris, entregue pela Associação ILGA Portugal, reconhecendo a contribuição do grupo na luta contra a discriminação e homofobia. No mesmo ano, venceu a categoria “Melhor Performance Portuguesa” pelo álbum “AM-FM”, no MTV Europe Music Awards. Em 2011, a banda é indicada na mesma categoria, no mesmo prêmio da MTV, por “Explode”.
Confira a entrevista:
Correio do Povo - Como vocês definem a banda The Gift?
Sónia Tavares - Somos uma banda com muitas referências indie, mas acima de tudo, creio que a nossa personalidade musical é o que nos define. Apesar de ouvirmos desde os Coldplay aos Animal Collective, as nossa música reflete 17 anos de experiência e uma sonoridade Indie-Rock muito característica.
CP - O disco “Explode” é uma obra de arte, a começar pela capa e pelo conceito. O que vocês pode falar deste disco, já que parece ter tido um grande tempo de maturação, pois surgiu cinco anos depois de “Fácil de Entender”?
Sónia - Foi uma vontade de mudar sem perder a nossa personalidade. Deixamos de lado as grandes composições, de carga dramática e sonoridade épica, para apostarmos num lado mais orgânico, talvez até mais simples. As canções mantiveram-se, mas o seu colorido mudou. São esperançosas e alegres. Tudo partiu desse mesmo conceito. Já não fazia sentido soarmos ao que éramos; as bandas devem saber atualizar-se, reinventar-se, adaptar-se aos tempos. Foi o nosso maior desafio enquanto artistas.
CP - Como será o show de Porto Alegre? O repertório será basicamente do “Explode” ou com uma ou duas músicas dos outros discos?
Sónia - Tentamos adaptar-nos a cada show e nenhum é igual a outro. Será uma grande oportunidade de mostrar este “Explode”. No entanto, é certo que músicas antigas farão parte deste alinhamento. Aquilo que prometemos é uma grande festa, cheia de emoções, de alegria, de cor.
CP – Sobre as letras, é impossível não comentar sobre alguns tratados da vida de solteiro, sonhos, esperanças loucuras e referências musicais - Talking Heads, Radiohead, Pigeonhed e Beach Boys – numa única música como “The Singles”. Fale-nos sobre as letras da banda.
Sónia - As letras surgem no seguimento de todo conceito que falei há pouco. Marcam sentimentos, falam de esperança, de alegria e refletem, sobretudo, aquilo que somos individualmente em 2011.
CP - Sobre o Brasil, vocês tocaram no Rock in Rio em setembro. Vocês ouvem algo da nossa música, têm alguma troca ou parceria com músicos brasileiros?
Sónia - A música brasileira, felizmente, sempre ocupou um grande espaço no mercado português, desde os clássicos aos contemporâneos e é muitíssimo apreciada. Curiosamente, os The Gift têm uma modesta versão de “Índios” do Legião Urbana, que creio que com toda a honra a apresentaremos nesta tour brasileira.
CP - Como uma banda portuguesa pode fazer um som tão universal, que quando se ouve sem saber não se pode dizer que é português?
Sónia - As nossas grandes influências são bandas internacionais, ainda que a nossa sonoridade seja muito própria. Sempre quisemos mostrar a nossa musica pelo mundo, não sendo, no entanto, isso que nos faz compor de forma diferente. É mais um traço da nossa personalidade musical e também talvez porque tentamos trabalhar com pessoas que nos ajudem a realçar essa personalidade, como foi no caso “Explode”, que trabalhamos com o produtor dos três primeiros discos dos Coldplay, Ken Nelson.
CP – Para finalizar, como vai o fado atualmente em Portugal? Sei que o Nuno e alguns de vocês gravaram “Amália Hoje”, em homenagem a grande Amália Rodrigues. Estive lá em 2010 e achei que o fado nunca esteve tão em alta, tão contemporâneo.
Sónia - O fado português está realmente de boa saúde. Tenta-se, sem perder os traços característicos que o compõem, atualizá-lo. Grandes artistas como Mariza ou Ana Moura são o melhor exemplo desse novo lado do fado.