No projeto "Encontros Vivo EnCena, Lacerda estará com o pesquisador em gestão cultural Expedito Araújo, na conversa informal com estudantes de teatro e público, sobre sua trajetória, falando do desafio deste primeiro Shakespeare, justamente como protagonista. O evento ocorrerá neste domingo, 15h, no local, com entrada franca (distribuição de senhas 30 minutos antes do início do bate-papo).
A única preocupação do roteiro, traduzido por Ron e Marcos Daud, foi comunicar a história da forma mais objetiva e direta possível. "No primeiro encontro com o elenco, o diretor disse que faríamos um texto como se fosse escrito por um brasileiro, que fala muito bem inglês, na semana passada", diz Lacerda sobre a atualidade da trama.
Com 2h45min de duração, a narrativa trata da sede de poder, a partir do que ocorre no reino da Dinamarca, quando o rei é assassinado pelo próprio irmão, casando-se com a viúva. Seu fantasma ronda o castelo e exige do filho, Hamlet, vingança pela traição. Confuso, revoltado e obcecado, o rapaz, autor da frase "ser ou não ser, eis a questão" promete pôr fim ao reinado indevido. Segundo o ator, trata-se de uma grande metáfora da natureza humana, "com a corrupção ética, moral e estética, a degradação do indivíduo, que se propaga com o tempo".
Satisfeito por trabalhar com o diretor, com 50 anos de carreira, conhecedor da obra do bardo e que já montou seis versões de "Hamlet", Lacerda pretende dar sequência às montagens de Shakespeare no Brasil, planejando trazer Ron novamente em 2015. E talvez fazer uma temporada mais sólida, não apenas de um fim de semana em cada capital, ciente de que Porto Alegre comportaria ao menos mais três sessões.