Arte & Agenda

Tiago Iorc e Milton Nascimento celebram amizade e unem gerações em show intimista

Dupla apresentou a turnê "Mais Bonito Não Há” na noite de sexta em Porto Alegre<br />

Repertório mesclou canções dos dois artistas
Repertório mesclou canções dos dois artistas Foto : Júlia Endress / Especial / CP
Nem mesmo os 32 minutos de atraso impediram que Tiago Iorc e Milton Nascimento fossem aplaudidos de pé quando subiram ao palco do Auditório Araújo Vianna nesta sexta para apresentar a turnê “Mais Bonito Não Há” em Porto Alegre. Em cena, os artistas, acompanhados por dois banquinhos e um violão: o suficiente para entregar ao público um show que celebra diferentes gerações da música brasileira que se encontram numa sinergia de vozes que encanta o público. “Um dia após a outro” foi a escolhida para abrir o espetáculo e, acompanhada por um jogo de jogo de luzes, ditou o tom intimista que regeu a noite.

Na sequência, emendaram “Quando você foi embora” e “Bola de meia, bola de gude”. Embalado por aplausos da plateia, eles puxaram “Mil razões” e Tiago brincou: “Quem quiser pedir música, pode pedir”, mas não quer dizer que nos vamos tocar”, arrancando risadas dos presentes. A dinâmica da apresentação consistiu numa mescla de faixas dos artistas, nas quais eles dividiam os vocais, como em “Quem sabe isso quer dizer amor”, ou ofereciam reinterpretações das canções uma do outro, tal qual a versão de Bituca para “Eu errei”.

No setlist, eles também abriram espaço para “Al otro lado del rio”, do Uruguaio Jorge Drexler e que venceu o Oscar de melhor Canção em 2005. Antes de performá-la, Tiago explicou que a dupla ouviu essa música durante as gravações do clipe de “Mais Bonito Não Há”, a primeira parceira dos dois, cujo vídeo foi filmado em Porto Alegre e nos Canyons de Cambará do Sul. Após o momento em espanhol, eles voltaram para suas produções com a envolvente “Paula e Bebeto”, durante a qual Bituca deixou o palco para que o amigo pudesse cantar a sua “Liberdade ou solidão”.

Ensaiando uma pequena dança, Milton regressou ao seu lugar na metade de “Clube da esquina II”, que rendeu uma ovação em pé ao seu fim e foi seguida por “Ponta de areia”. Em uma interação com público, Tiago contou a história de como conheceu o ídolo para introduzir a primeira música que eles tocaram juntos, na casa de Bituca em Juiz de Fora, “A Festa”. Depois, foi com a ajuda da plateia que ele cantou o hit “Coisa Linda”.

A dupla então dedicou “Dia Especial” a Duca Leindecker e encerrou esta canção com um grito de “viva Cidadão Quem”, de quem Tiago recentemente regravou a faixa. “Caçador de mim” e “Alexandria” vieram na sequência, trazendo mais uma vez o encaixe perfeito entre a voz suave de Tiago e o timbre grave de Milton. Esta última, uma das canções mais famosas do jovem artista, teve seu refrão cantado a plenos pulmões pela plateia.

“Essa noite celebra gerações e públicos distintos que se unem e fazem essa pororoca. Viva as diferenças. Viva a música Brasileira. Viva Milton Nascimento”, disso Tiago antes de dedicar uma música ao amigo. “Mas quem vai cantar é tu”, completou em seguida. Foi então que Milton entoou sua “Canção da América”, num dos momentos mais emocionantes da noite. O clima seguiu com “Amei te ver”, numa versão mais lenta e interpretada pelos dois artistas.

Para o fim, a dupla guardou o grande momento a noite. “Mais Bonito Não Há “, a faixa-título da turnê, chegou com toda a sua sensibilidade, e o clássico “Maria, Maria” e sua tocante mensagem e toda a sua vibração foi a responsável por encerrar celebração à amizade e à música brasileira promovida por estes dois grandes artistas.

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