Embora more em Londres com a companheira, a atriz inglesa Helena Bonham Carter, e os dois filhos, Tim Burton prefere evitar a capital britânica: "os jornalistas são horríveis comigo e eu não quero que as minhas crianças escutem até que ponto eu sou um artista insuportável". A exposição, uma retrospectiva do diretor prolixo que vai até 5 de agosto, esteve no Museu de Arte Moderna (MoMa) de Nova Iorque, em Melbourne, Toronto e Los Angeles.
Mais de 500 desenhos, criados na infância ou quando teve seus primeiros contatos com os estúdios Walt Disney –que recusaram a maioria das obras – serão mostrados ao público a partir de quarta-feira. A exposição parisiense apresentará uma série exclusiva de desenhos feitos em guardanapos principalmente do Ritz, seu palácio preferido, prova que o artista não larga nunca o seu lápis. "O desenho é uma boa maneira de ocupar suas mãos e de se manter ocupado, isso evita cair numa depressão profunda", ressaltou o autor, acrescentando que "o mais importante de cada dia é guardar um pouco de tempo para sonhar, para criar".
Para o menino de Burbank, Califórnia, um dos imensos subúrbios residenciais que ele apresenta como um deserto cultural, à margem da história, que, no entanto, abriga os estúdios da Disney e Warner, o museu foi uma descoberta tardia. "Eu não tinha nenhuma cultura de museu, entrei em meu primeiro museu aos 18 anos", disse, manifestando a sua "gratidão" aos comissários do MoMa que foram os primeiros a pendurar seus desenhos.