Em entrevista, Sérgio Britto, vocalista e tecladista da banda, falou sobre o atual momento dos Titãs: "Estamos vivendo um momento de grandes surpresas. Primeiro com os shows que fizemos com os portugueses do Xutos & Pontapés, que tanto no Rock in Rio daqui como no recente, em Lisboa, foram muito vibrantes. Depois, porque voltar a tocar nosso repertório mais pesado tem sido muito divertido, mais que tudo". Não é para menos. "Cabeça Dinossauro" praticamente deu identidade ao então octeto. As influências do punk rock, recheadas com alusões ao reggae e até ao funk, estão ali. E o disco é repleto da visceralidade que marcaria, em definitivo, o "andar da carruagem" da banda. A prova está em faixas como a então censurada "Bichos Escrotos", "AA UU", "Polícia", "Estado Violência", "Tô Cansado" e, claro, no tribalismo rocker da faixa-título. "A ideia de uma unidade já era, há algum tempo, uma meta da banda, algo que queríamos fazer acontecer. O disco não foi pensado de uma forma premeditada no sentido do ''fazer dar certo''", diz Britto.
Pelo impacto que o álbum causou na cena roqueira do país naqueles meados dos anos 80, muitas das músicas de "Cabeça Dinossauro" permanecem no repertório da banda até hoje. "Algumas iam se alternando, mas outras não tocávamos há muito tempo, como ''A Face do Destruidor'' e ''Dívidas''. No show, também estamos tocando outras coisas da carreira, além da inédita "Fala, Renata", que estará no nosso próximo disco, que terá algo do tipo ''O Blésq Bom'' (de 1989), só que mais pesado", revela Britto.
Sobre os 30 anos da banda, Britto cita o amigo João Barone, dos Paralamas: "Perseverar, é isso". "Somos uma banda que trabalha muito. Respeito não se exige, se conquista", sentencia Britto, sem meias palavras.