Talvez você já tenha assistido a alguns episódios da série norueguesa “Ragnarok”, criada por Adam Price para a Netflix. Nela, o jovem Magne descobre ter uma relação direta com o poderoso Thor, deus nórdico dos trovões e das batalhas, e filho de Odin. A série representa um dos possíveis momentos da produção cultural daquele país e tem gerado interesse na audiência mundial. Outra vertente desta força narrativa e criativa nórdica está presente na obra do músico, economista e escritor bem-sucedido na Europa contemporânea Jo Nesbo. Ele vive em Oslo e seu primeiro romance policial “Garganta Vermelha”, estrelado pelo detetive Harry Hole, tornouse sucesso na Noruega, conquistando o prêmio Glass Key de melhor romance nórdico de 1998.
O autor tem sido caracterizado como um dos mestres na intrincada arte de contar os fatos de maneira bastante superficial, ao mesmo tempo em que atinge uma profundidade impressionante em cada um deles. Jo Nesbo tem dado aos seus milhões de leitores espalhados pelos quatro cantos do mundo, a oportunidade de ver os fatos pelos olhos do personagem e incluindo a visão daqueles que mergulham na trama.
Agora, suas obras “Headhunters”, que em 2011 ganhou vida também nos cinemas, e “Garganta Vermelha”, primeiro livro do autor publicado pela Editora Record, ganham reedição especial. Em “Headhunters”, encontramos um thriller elogiado, com enredo capaz de surpreender, e com narrativa repleta de reviravoltas. O leitor é levado pelas mãos de Jo Nesbo a transitar da alta cúpula financeira e industrial da Noruega até o submundo repleto de mercenários e vigaristas. Na trama, Roger Brown é o melhor headhunter da Noruega. As maiores empresas do país contam com seu faro na hora de escolher seus executivos. É casado com uma mulher deslumbrante e mora em uma mansão. Tem a vida perfeita, mas é cada vez mais difícil pagar por ela. E Roger só consegue pagá-la roubando obras de arte e vendendo para o mercado paralelo. O clima esquenta quando surge um executivo holandês de alto gabarito, candidato perfeito para um alto cargo e possuidor de um quadro do pintor flamengo Rubens, que pode dar a Roger a possibilidade de pagar suas dívidas e assumir por completo a vida que sempre sonhou. Mas há outro caçador nesse jogo e os riscos que Roger corre podem colocá-lo em um terrível pesadelo. E é aí que as 235 páginas deste thriller conduzem o ávido leitor a um universo repleto de vida, encontros, desencontros e surpresas.
Já em “Garganta Vermelha” surge uma combinação de guerra e traições quando, em 1942, nas trincheiras de Leningrado, na frente oriental, uma unidade de soldados noruegueses luta por Hitler contra o avanço do bolchevismo na Rússia, pois acreditam ser a causa justa para alcançar uma Noruega livre. Eles são oriundos das mais diferentes camadas sociais e não têm em comum a política nem motivação. Há uma complexidade, mas ao mesmo tempo a trama se desenvolve de forma a manter a atenção do leitor mais concentrado nas 515 páginas da reedição da Editora Record.
O protagonismo do enredo está com o inspetor policial Harry Hole, com algo de Sherlock Holmes. Em dez partes muito bem divididas, o livro vai ser mais bem absorvido por aqueles que tenham certos conhecimentos sobre a II Guerra Mundial, a Noruega e até conhecimentos bíblicos. E as pitadas de mistério surgem já nas primeiras páginas, com explicação mitológica para a aparência de um pássaro que terá relação com neonazistas, armas perigosas e um inspetor policial norueguês. E tem muito mais, mas só nos próximos capítulos.