Arte & Agenda

"Tom Jobim Musical": espetáculo chega a Porto Alegre

Com texto de Nelson Motta e Pedro Brício, montagem será apresentada no dias 15, 16 e 17 de maio, no Teatro Fiergs

Cena de "Tom Jobim - Musical"
Cena de "Tom Jobim - Musical" Foto : Caio Gallucci / Divulgação / CP

Pode-se dizer que a história do Brasil, no que diz respeito à música, passa por nomes que conseguiram ultrapassar gerações e, mais que isso, se tornarem objeto de estudo e referência para outros. É isso que significa falar sobre o carioca Antônio Carlos Jobim. E ao citá-lo, não se pode esquecer do nome de Vinicius de Moraes. Dois grandes gênios da música e da poesia que estão sendo retratados no espetáculo “Tom Jobim Musical”, que chega em Porto Alegre na sexta-feira, dia 15, às 20h30min, no sábado, dia 16, às 20h30min e 16h, e no domingo, dia 17, às 18h, no Teatro Fiergs (av. Assis Brasil, 8787). Ingressos na Sympla.

A direção é de João Fonseca (conhecido por sucessos como os musicais de Tim Maia, Cazuza, Cássia Eller e Djavan). A montagem conta com 19 atores e nove músicos para explorar a parceria fundamental com Vinicius de Moraes, vivido por Leopoldo Pacheco, e João Gilberto e celebra figuras como a gaúcha Elis Regina, Jair Rodrigues, Frank Sinatra, Elza Soares e Dolores Duran.

Em entrevista ao Correio do Povo, o ator e músico Elton Towersey detalhou como é retratar a obra de Jobim nos palcos. Segundo ele, o preparo é grande, mas a satisfação da entrega é complementar. “É uma grande responsabilidade. Tom Jobim é um músico, um compositor respeitado no mundo inteiro, pela comunidade dos músicos, por causa justamente desse refinamento musical que ele trouxe”. Considerado o maior trabalho da sua carreira, Towersey já era adaptado ao ritmo que um “biográfico teatral” detém, com atuação, canto e instrumentalidade. No entanto, precisou ter atenção redobrada aos detalhes na voz do artista e trejeitos para entregar ao público a adaptação mais fiel possível.

“No teatro musical, no geral, somos treinados a cantar muito agudo, muito volumoso, com muita expressividade, e justamente o estilo de música, de canto, que a Bossa Nova trouxe junto com o João Gilberto, é esse som mais falado, mais aerado. Totalmente o oposto do que o artista de teatro musical faz”, explica.

Também houve a mudança física para os palcos, como é o caso do cabelo, do qual precisou deixar crescer para a produção, e do sotaque. Apesar de ser nascido em Niterói (RJ), Elton Towersey mora em São Paulo. Então, precisou resgatar e aprofundar ainda mais o sotaque característico do “carioca raiz” Tom Jobim.

A Bossa Nova foi um marco para o Brasil. A partir dela conhecemos diversos artistas e foi possível mostrar ainda mais o país para o exterior. “Chega de Saudade”, lançada em 1958, é o exemplo do minimalismo do gênero ao citar o “peixinhos” e “beijinhos” num quase sussurro em meio ao mundo musical. No palco, a canção é um convite para que o público da plateia cante junto. O mesmo é feito com “Águas de Março”, cuja composição já foi citada em muitas questões de língua portuguesa. Não à toa é a preferida de quem interpreta o seu compositor.

“Ela é mais leve, mais feliz, mas existe uma genialidade no simples e na letra do Tom Jobim que pra mim realmente, hoje em dia, como compositor eu fico pensando, nada nunca vai chegar aos pés disso tão cedo.”

Outra canção marcante do espetáculo é “Corcovado”, de 1960. Nos versos, uma paixão delicada e intensa: “Quero a vida sempre assim/ Com você perto de mim/ Até o apagar da velha chama”. Em 2026, a cena é a mais emocionante para o ator protagonista, já que a metalinguística se faz presente, com desafios paralelos para criador e criatura.

*Sob supervisão de Adriana Androvandi.

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