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“Toy Story” vista 30 anos depois

Neste ano em que uma animação “Flow”, da Letônia, levou Oscar, um personagem ícone das telas comemora suas quatro décadas

"Toy Story" virou fenômeno, além do carisma de seus personagens, pelo feito técnico que não tinha precedentes: ser gerada por computador
"Toy Story" virou fenômeno, além do carisma de seus personagens, pelo feito técnico que não tinha precedentes: ser gerada por computador Foto : Walt Disney Studios Motion Pictures / Divulgação / CP

Em 1995, o mundo do cinema foi testemunha de um marco histórico: o lançamento de “Toy Story”, o primeiro longa-metragem produzido inteiramente em animação 3D por computador. Dirigido por John Lasseter e produzido pela Pixar Animation Studios, o filme não apenas mudou para sempre o conceito de animação, mas também estabeleceu novas fronteiras na forma como histórias poderiam ser contadas.

Em seu 30º aniversário, “Toy Story” se mantém relevante, não apenas como um clássico do cinema, mas também como um símbolo da evolução da tecnologia e da arte da animação. A história de “Toy Story” é simples, mas profunda: Woody, um cowboy de brinquedo, se vê ameaçado pela chegada de Buzz Lightyear, um novo brinquedo que é, por assim dizer, a sensação do momento. Juntos, eles embarcam em uma jornada que os ensina sobre amizade, aceitação e crescimento.

No entanto, o que realmente transformou esse filme em um fenômeno não foi apenas a narrativa envolvente e os personagens carismáticos, mas a revolução visual que ele trouxe ao público. A animação gerada por computador foi um feito técnico sem precedentes na época. Cada detalhe – desde texturas de figuras de brinquedo até os cenários complexos – foi meticulosamente planejado e executado, criando uma experiência que parecia mais real do que qualquer outra animação tradicional até então.

A inovação técnica foi um divisor de águas. Antes do filme, a animação era dominada pelo tradicional desenho 2D, como era o caso dos filmes da Disney. A revolução visual proporcionada pela animação em 3D não só deu à Pixar uma posição de liderança no setor, mas também inspirou uma nova geração de cineastas a explorarem as possibilidades infinitas do computador. “Toy Story” não só ajudou a consolidar a Pixar como um gigante da indústria do entretenimento, mas também abriu portas para outras produções inovadoras que seguiram o mesmo caminho.

Ao longo dos anos, a evolução da animação no cinema não se limitou apenas à revolução tecnológica: ela também reflete uma progressão das histórias e dos temas abordados.

Gênero

No início do século 21, por exemplo, filmes como “Shrek” (2001), da DreamWorks, trouxeram uma abordagem mais irreverente e moderna para o gênero, desafiando as convenções e brincando com o imaginário popular de maneira autêntica e espirituosa. A série do personagem verde “Shrek” misturou humor sofisticado com um visual cativante e personagens carismáticos, atingindo um público de crianças e adultos.

Nos anos seguintes, a Pixar continuou a dominar a indústria com filmes como “Monstros S.A.” (2001) e “Procurando Nemo” (2003), ambos que não apenas injetaram doses de emoção nas animações, mas também elevaram os padrões de qualidade e profundidade narrativa. O sucesso de “Procurando Nemo”, por exemplo, não se deu apenas pela animação visualmente deslumbrante, mas também pela forte conexão emocional com o público, que acompanhava a jornada de Marlin, o peixe-palhaço, em busca de seu filho perdido, Nemo. O filme foi um grande sucesso de crítica e público, pontuando a inovação da Pixar.

Outras animações impactantes nos últimos 30 anos também marcaram a evolução do gênero. “Os Incríveis” (2004), também da Pixar, foi exemplo de como a animação poderia tratar de temas adultos e complexos, como identidade, poder e família, enquanto “A Viagem de Chihiro” (2001), do mestre Hayao Miyazaki e do Studio Ghibli, encantou o mundo com sua narrativa surreal e profunda, conquistando o Oscar de Melhor Animação. Tem ainda “Frozen” (2013) da Disney, ampliando ainda mais o apelo das animações, com uso de música e tecnologia de ponta para criar experiências inesquecíveis. E chegamos a “Flow”.

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