Arte & Agenda

Traumas e memórias são ingredientes de “Ninho”

Solo de Janaína Suaudeau é baseado em texto de Marc Garcia Coté

Atriz e diretora franco-brasileira Janaína Suaudeau
Atriz e diretora franco-brasileira Janaína Suaudeau Foto : Cleber Correa

Em cartaz até a próxima quinta-feira, “Ninho” tem como ponto de partida a queda de um avião para contar a história de uma menina que rompe um silêncio de anos para confrontar seus medos. Janaína Suaudeau assina a tradução do texto do autor espanhol Marc Garcia Coté e a atuação, sob a direção de Bruno Guida. Encenado no Viga espaço Cênico (SP), tem transmissão via streaming pelo YouTube, a partir das 20h30min. Na sessão desta terça, o ator Flávio Tolezani participa como convidado especial; e na do dia 8 (encerramento) haverá intérprete de libras, ficando disponível por 48h no Youtube. 

A peça começa com o relato de um acidente aéreo, o ritmo do texto se mostra vertiginoso como o fluxo de pensamentos da personagem. “Essa queda provoca o monólogo interior da personagem: um ninho de vozes que se encontram numa verdadeira fuga da consciência e nos permite viajar até a ilha onde passou a infância cercada de pássaros”, explica o autor. A narrativa frenética chamou a atenção de Bruno Guida. “O texto sugere um delírio onde um acidente aéreo é sobreposto à uma discussão de um casal em um bar e a um ataque de pássaro na infância. Em cena temos o fluxo de pensamento dessa figura que passou por um trauma e agora vomita palavras diretamente para a plateia, sempre com muito humor”, explica.

Para Janaína Suaudeau é a história de uma menina que rompe o silêncio e investiga seu trauma de infância. “Nessa peça, a personagem não tem um arco dramático, visto que a dramaturgia do Marc é uma dramaturgia fragmentada. É como se o trauma dela fosse dissecado na frente do público e que enxergássemos sinapses do cérebro dela ao vivo. É tudo muito rápido e intenso”. A montagem propõe uma experiência teatral que provoca o espectador a investigar os conceitos de beleza e feiura, de mudez e de fala e de memória e realidade da personagem. O cenário é um local não definido, uma espécie de limbo ou purgatório, pontuado por alguns objetos que remetem ao acidente narrado no início do texto e objetos da infância da personalidade encarnada pela atriz, como os pássaros.

 

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