"Tropa de Elite 2" vem batendo recordes desde a sua estreia. No seu primeiro fim de semana em cartaz, arrebatou cerca de 1,25 milhão de espectadores, deixando-o com mais do dobro de público do segundo lugar em abertura entre filmes nacionais, ocupado por "Chico Xavier" (com 585 mil). E o mais impressionante: em quarto lugar entre todos os filmes já exibidos em telas brasileiras. "Tropa 2" ficou à frente das séries como "Era do Gelo", "X-Men", "Harry Potter", "Shrek", "Piratas do Caribe" e "Matrix"; e do primeiro "Homem-Aranha". O filme de José Padilha ganhou ainda do longa "Eclipse", que até pouco tempo atrás era o filme com melhor abertura em 2010, com 1.185 milhão de espectadores, só sendo superado por quatro filmes americanos em toda a história.
"Tropa de Elite 2" dá continuidade aos acontecimentos de "Tropa de Elite", sucesso de 2007. O personagem consagrado Capitão Nascimento, que no primeiro filme combatia o crime nas ruas e nas favelas, enquanto tinha de enfrentar um momento delicado dentro do lar, agora aparece mais velho, promovido a coronel, divorciado e com seu filho adolescente para orientar. Ele se vê frente a problemas como as milícias, grupos que oferecem segurança pública mediante pagamento e chantagem em uma tarefa que, por lei, é dever do Estado. Nascimento se depara ainda com uma rebelião em um presídio, comandada pelo bandido Beirada (Seu Jorge) e com casos de corrupção que chegam a altas esferas.
Tropa de Elite 2 também ganha livro
Enquanto o filme de 2007 se baseou no livro "Elite da Tropa", o filme deste ano também chega ao cinema com outra publicação semelhante, o livro "Elite da Tropa 2" (Editora Nova Fronteira). Livro e filme são obras autônomas, mas compartilham temáticas, fontes e referências comuns. A autoria deste novo livro é de Luiz Eduardo Soares, Cláudio Ferraz, André Batista e Rodrigo Pimentel. Com 304 páginas, esta obra transita entre realidade e ficção ao relatar a ameaça das milícias sob o olhar de um policial civil carioca. Nessa, que é a primeira obra a tematizar a ameaça das milícias, o antropólogo Luiz Eduardo Soares e os três coautores que convivem ou conviveram intimamente com a violência urbana transformam em literatura fatos atuais e aterradores relacionados ao crime organizado no Rio de Janeiro.
Dando continuidade ao livro que, lançado em 2006, foi um grande sucesso ao exibir aos leitores detalhes da violência urbana e de seus bastidores políticos, "Elite da Tropa 2" flagra agora a anatomia dessas máfias brasileiras, grupos criminosos formados inclusive por policiais e mantidos parcialmente com recursos do Estado. Se no volume inicial o foco da ação estava na Polícia Militar e no Bope (Batalhão de Operações Especiais), esta sequência acompanha o dia a dia da Draco (Delegacia de Repressão às Ações do Crime Organizado), braço da Polícia Civil, na voz de um inspetor. A narrativa traz a público episódios desconhecidos e inacreditáveis da história política e policial do Rio de Janeiro, permitindo, assim, que o leitor compreenda por que as milícias possuem uma força crescente e quais são os limites das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).
Os autores lançam luz sobre o trabalho e os dilemas de quem lida com segurança pública no Brasil em uma trama ambientada tanto em bairros nobres como nas periferias. Por meio de personagens cuidadosamente estruturados é possível conhecer as marcas da violência.