Onze atores, da Alemanha, Brasil e França apresentam a segunda temporada de “Revoluções Tropicalistas: uma Experimentação Cênica”, espetáculo on-line gratuito, falado em português e com legendas em alemão, apresentado pelo grupo Teatro Lusotaque, sediado em Colônia. As transmissões ocorrem todos os sábados de janeiro, às 15h (Brasil) e 20h (Alemanha), com sala de espera aberta 30min antes e debate após as sessões, pela plataforma Zoom. Interessados devem se inscrever previamente, pelo link https://linklist.bio/revolucoes_tropicalistas.
Criado em junho e realizado totalmente em formato digital, sem encontros presenciais, o trabalho concluído em três meses se baseou em intensa pesquisa, a partir de textos e documentários, passando por músicas e filmes da época, além de conversas com quem viveu o movimento. “Apesar de ter durado apenas dois anos, seus efeitos perduram até hoje, sendo muito atual, apesar de ter ocorrido nos anos 1960”, afirma a diretora Alexandra Marinho, carioca que foi para a Alemanha no final de 2014, para fazer Doutorado em Teatro. Caetano, Rita Lee, Tom Zé e Jorge Mautner foram alguns ícones que promoveram uma ruptura cultural e política, em tempos de AI-5 e exílio.
“A ideia partiu da inesperada semelhança de um momento que achávamos que havia terminado, que é muito parecido com o que vivemos em nosso país. Aproveitamos o tema da Tropicália para falar da questão política, artística e cultural”, acrescenta a brasileira. Em cena, a releitura de cenas deste período, assim como o discurso de Caetano Veloso no Festival da Canção em 1968 ao cantar "É proibido proibir" sob intensas vaias; o texto contundente de "Terra em Transe" e o polêmico manifesto antropófago de Oswald de Andrade, que tanto inspirou aos tropicalistas. E temas como desigualdade social, influências culturais internacionais, censura, feminismo e questões LGBTQI+.