Arte & Agenda

"Tu Frankenstein 3" mobiliza escritores e ilustradores na Feira do Livro

Contos de horror e mistério serão reunidos em publicação

Autor Raphael Montes
Autor Raphael Montes Foto : Luiz Gonzaga Lopes / Especial CP
Era próximo das 4h de domingo quando os últimos dos 13 escritores e ilustradores e a equipe da Câmara Rio-Grandense do Livro, que participaram do Tu Frankenstein 3, deixaram a Biblioteca Pública Estadual. A noite foi de morte, suspense, horror, mistério mas só no notebook e no papel. Durante o evento, imperou o silêncio, a confraternização, histórias e até a música, pois às 2h os músicos Thiago Gonçalves (clarinete) e Daniel Stringini (teclado) criaram a ambiência sonora para os contos se aproximarem do seu encaminhamento final.

Antes do início da noite de contos de terror, o presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, Marco Cena Lopes, e uma das idealizadoras desta recriação da noite de Lord Byron, Jussara Rodrigues deram o mote para a escrita, que no Tu Frankenstein II era a própria Biblioteca e nesta edição foi a obrigatoriedade da entrada do número 60 em alguma parte da trama. O livro Tu Frankenstein II teve sessão de autógrafos na noite de sábado, no hall do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo reunindo boa parte dos 17 autores que escreveram os contos em 2013. Dos 13 autores desta edição, 11 são escritores e a novidade foram dois ilustradores – Carlos Ferreira e Walter Pax. Quatro escritores estrangeiros participaram da atividade. O argentino Gustavo Nielsen, também idealizador, o norueguês Nikolaj Frobenius, a sueca Catharina Ingelman Sundberg  e o espanhol Manel Loureiro. Os sete autores nacionais foram Duda Falcão, Marcelo Almeida, Rodrigo de Oliveira, Raphael Montes, Nikelen Witter, André Cordenonsi e Christian David. Dos 11 autores, 10 escreveram em notebooks e somente Nikelen Witter escreveu a caneta num bloco de notas.

Conforme Duda Falcão, os contos agora passam por um tratamento, uma finalização e serão enviados em no máximo uma semana para a Câmara Rio-Grandense do Livro e resultarão em livro a ser lançado na 61ª Feira do Livro, em novembro, durante o Tu Frankenstein 4, que deve ser editado pela BesouroBox. Tanto Duda como Gustavo Nielsen avaliaram que em relação ao ano anterior este grupo estava mais concentrado, mais focado nos seus textos. “Todos procuraram o seu isolamento, a sua concentração”, revela Nielsen. “No ano passado, era uma coisa nova, mais solta, a vibe era de brincar com os próprios autores dentro da Biblioteca. O pessoal deste ano se conhecia menos e ficou mais focado na escrita. Vamos ver no que vai dar, mas acho que o resultado vai ser bom”, afirma Duda. Jussara também ficou satisfeita com o clima da noite e disse que espera receber os contos em uma semana e providenciar os ajustes, os contatos com os tradutores dos autores estrangeiros e o processos para encaminhamento da edição do segundo livro da coleção. A diretora da Biblioteca, Morgana Marcon, destacou que o evento é importante para chamar atenção ao espaço cuja reforma ainda depende de captação de R$ 8,8 milhões, aprovados pela Lei Rouanet, e que deve levar mais alguns anos.

Quando finalizaram o trabalho da noite, alguns escritores revelaram as suas sinopses de forma sucinta. O carioca Raphael Montes disse que o conto foi trabalhado em uma roleta russa envolvendo várias pessoas. Gustavo Nielsen conta que um homem compra uma casa muito barata 60 anos depois de ter acontecido um crime e é assombrado por um fantasma invisível que nunca se materializa, mas que se escuta. “Não passa nada, mas ele sempre espera o pior, pois houve ruídos e a brisa que entra pela janela e move alguma coisa para ele é assustadora.”

Duda criou o conto “60 Itens para Criar um Golem”. O golem é um ser, um boneco trazido á vida por meio da mágica ou da alquimia. “Tem um pouco de Frankenstein na minha história. Um alquimista cria um Golem, para que o boneco assassine um rival também alquimista, mas como o Golem é uma criatura do mal, ele não vai poupar nem o seu criador”, revela. Marcelo Almeida lembra que a relação com o número 60 dentro do seu conto tem a ver com o Salão Egípcio da Biblioteca Pública. “As 60 últimas obras da Biblioteca de Alexandria são salvas, mas este conhecimento pode custar caro, pode custar a vida”, afirma Almeida. Uma das duas mulheres da noite de contos de terror, Nikelen Witter teve como base para o conto a frase que consta na escultura da esfinge do Salão Mourisco da Biblioteca: “Só a Esphinge não morre, e erguendo o estranho porte, guarda, eterna do Caos das origens da edade, o enigma da vida e o mystério da morte”. “Sessenta anos depois, a Biblioteca é reinaugurada e dos dizeres da esfinge há o encanto e o desencanto, a maldição que vai assombrar o lugar”, explica Nikelen.

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