O encontro de gerações se dá na plateia, daqueles que eram adolescentes/jovens nos anos 1980 e hoje levam seus filhos para ver a peça, e também no palco, de atores da nova geração com o elenco original, em participações especiais. A história de sete crianças, vizinhas de rua, tendo seus destinos afetados pelos anos de chumbo e suas transformações até a juventude, nas “Diretas Já”, é o tema. Filhas de um intelectual, um empresário, um operário, uma costureira, etc., representam diferentes correntes políticas, ideológicas e culturais. E, ao crescerem, ou pegam a estrada na onda lisérgica do flower power, ou decidem enveredar pela luta armada.
“Digo que é a última peça da ditadura ou a primeira da redemocratização”, define o diretor. A obra é uma das mais encenadas no Brasil, com mais de 35 versões, sendo referência nas aulas de história. Se na década de 80 ela era crua, em 1994 ganhava efeitos de luz e, em 2000, imagens históricas, já que a geração que veio depois não conheceu a ditadura, a não ser pelos livros. Com os protestos recentes, a peça pop que virou cult, como define Júlio, está mais atual do que nunca.