A Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa) apresenta o concerto “Diálogos Inéditos” nesta sexta-feira, às 20h, no Complexo Cultural Casa da Ospa (av. Borges de Medeiros, 1501, junto ao prédio CAFF). Com regência do maestro vencedor do Grammy Michael Repper e solos da flautista Angela Jones-Reus, o programa reúne composições de Amy Beach, Charles Griffes, Carl Reinecke e Piotr Ilyich Tchaikovsky.
Os ingressos estão à venda na plataforma Sympla e também garantem a entrada à palestra “Notas de Concerto”, conduzida pelo flautista da Ospa, Klaus Volkmann, a partir das 19h, na Sala de Recitais do mesmo complexo. A programação continua no sábado (24 de outubro), às 17h, com o recital “Faskner 51 e Vértice”, na “Série Música de Câmara”.
SOBRE O CONCERTO
A flautista Angela Jones-Reus, professora da Universidade da Geórgia (EUA) e convidada recorrente da Filarmônica de Berlim, estreia como solista no palco da Ospa em “Diálogos Inéditos”. Sob regência de Michael Repper, o concerto reúne quatro obras que convidam o público a transformar as próprias lembranças em narrativas sonoras.
O percurso musical tem início com “Bal Masqué”, de Amy Marcy Cheney Beach (1867-1944). Composta em 1893 para piano solo e orquestrada pela própria autora, a obra evoca a atmosfera de um baile de máscaras por meio de uma escrita que combina elegância e vivacidade. “É uma obra que cintila com calor, humor e sofisticação, e que deixa tanto os intérpretes quanto o público sorrindo muito depois da cadência final”, afirma o regente Michael Repper.
Na sequência, a solista assume o centro do palco em duas obras que têm a flauta como protagonista. Escrito em 1918, o “Poema para Flauta e Orquestra”, de Charles Tomlinson Griffes (1884-1920), combina lirismo e virtuosismo em uma linguagem marcada pela influência do impressionismo francês e de sonoridades orientais. Logo após, a “Ballade em ré menor”, de Carl Reinecke (1824-1910), aprofunda a experiência ao explorar intensos contrastes para o instrumento no formato de um poema musical sem roteiro definido. O programa se encerra com a “Sinfonia nº 4 em fá menor, Op. 36”, de Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840–1893). Composta entre 1877 e 1878, a obra é estruturada em torno do emblemático "tema do Destino" — uma fanfarra anunciada pelos metais que retorna como um aviso ao longo da execução. A sinfonia transita da angústia do primeiro movimento para um desfecho enérgico, inspirado pela canção folclórica russa “No Campo Havia uma Bétula”.
NO SÁBADO
Neste sábado, dia 24, às 17h, a “Série Música de Câmara” movimenta a Sala de Recitais com um programa duplo. A primeira parte, intitulada “Faskner 51”, celebra o aniversário do percussionista da Ospa Diego Faskner Silveira, apresentando três obras recentes de sua autoria. Acompanhado por João Senna (viola) e Paulo Bergmann (piano), o percussionista apresenta “Nave Space”, que explora técnicas expandidas na viola, e as estreias de “Wannaboard”, escrita para marimba preparada com tampas plásticas e livros, e “Transporte 5”, concebida como uma colagem sonora. A construção das três peças baseia-se em processos de fragmentação, reordenação e repetição, somados à inserção de voz falada.
Na segunda metade do recital, o grupo Vértice faz a sua estreia oficial. Formado pelos percussionistas da Ospa, Diego Silveira, Douglas Gutjahr e Gabriel Moraes, e pelo venezuelano Juan Carlos Silva, o grupo propõe uma verdadeira imersão no universo da percussão. O repertório mescla criações dos próprios integrantes — como “Embalo Sprach”, de Silveira, e “Frevo Duelado” e “Círculo de Fogo’, de Gutjahr — com as peças “Três Miniaturas Brasileiras”, de Osvaldo Lacerda, e “Ragtime Dance”, de Scott Joplin. A apresentação de sábado tem entrada gratuita por ordem de chegada.