A Casa da Memória Unimed Federação/RS (rua Santa Terezinha, 263) realiza a retrospectiva de Trindade Leal (1927-2013). Ele está entre os primeiros artistas plásticos modernistas gaúchos. Com a exposição está sendo lançado um livro sobre a vida e obra do pintor, gravador e desenhista. A mostra e o livro são apresentados pela Unimed Federação/RS, Daniel Chaieb Agência de Leilões e Rafael Pandolfo Advogados Associados.
A mostra que abre ao público na quinta, dia 3 de abril, conta com cerca de 100 peças, entre pinturas, gravuras e desenhos, produzidos entre o final da década de 1940 e o ano do seu falecimento, em 2013. O livro de arte, que leva o mesmo título da exposição, “Trindade Leal – Moderno Fronteiriço”, presta homenagem ao artista ao explorar sua trajetória, fases plásticas e principais temas. Em um cenário onde há escassez de publicações abrangentes sobre nossos artistas, a obra se torna ainda mais relevante. A obra será lançada no sábado, dia 5, às 10h, na Casa da Memória.
O curador da exposição e autor do livro, José Francisco Alves, também escreveu “Stockinger – Vida e Obra” (2012), o último livro sobre um artista histórico lançado em Porto Alegre, fato que evidencia a falta de incentivo às pesquisas sobre a historiografia da arte gaúcha. A obra com edição bilíngue (português e inglês) será vendida no lançamento. O projeto do livro, levado a cabo por Daniel Chaieb Agência de Leilões, foi viabilizado com o apoio de Rafael Pandolfo Advogados Associados, sem recurso público cultural. A mostra estará em exibição nos horários da Casa da Memória entre 3 de abril e 3 de maio, de segundas a sextas, das 13h às 18h. Aos sábados, abrirá para o lançamento do livro (5 de abril) e no encerramento da exposição, 3 de maio.
MODERNISTA
Geraldo Trindade Leal, nascido em Sant'Ana do Livramento (1927), foi um dos precursores do modernismo no Rio Grande do Sul. Criado em Porto Alegre e São Paulo, sua formação artística foi autodidata. O seu ingresso foi recusado pelos acadêmicos no Instituto de Belas Artes do RS. A carreira profissional começou em São Paulo, no 1° Salão Paulista de Arte Moderna, em 1951. A partir de 1952, começou suas andanças, do litoral fluminense a Salvador. Na Bahia, trabalhou com Mário Cravo Júnior (1923-2018), observando temas regionais representados na arte moderna baiana. Quando voltou ao RS, mergulhou na cultura gaúcha, a partir da vivência na Fazenda Olaria, de parentes no interior de Livramento, pautando temas gauchescos na pintura e desenho. Em Porto Alegre, começou na cenografia teatral. Posteriormente, radicado em São Paulo, foi cenógrafo na TV Tupi.
Suas mais importantes participações e atividades na arte foram em São Paulo, entre 1951 e cerca de 1970, com exposições, eventos e atividades com instituições como Bienal de São Paulo, Prêmio Leirner de Arte Contemporânea, Museu de Arte Moderna de São Paulo, FAAP e TV Tupi. Além dos temas regionais gauchescos, foram diversas as suas fases. Entre elas, o erotismo, as temáticas fantásticas e o lirismo de suas memórias de infância.