Arte & Agenda

Um western no Cerrado apresenta fragilidades masculinas

Programação do 52º Festival de Cinema de Gramado segue nesta quarta-feira, com exibição de filmes e homenagem para a atriz Vera Fischer

Diretor e elenco do filme Oeste Outra Vez no Festival de Cinema de Gramado
Diretor e elenco do filme Oeste Outra Vez no Festival de Cinema de Gramado Foto : Cleiton Thiele - Pressphoto

A edição deste ano do Festival de Cinema de Gramado segue emocionando e divertindo o público com filmes de temáticas diversas. Nesta quarta-feira, uma das atrações do evento será a entrega do Troféu Cidade de Gramado para a atriz Vera Fischer. A abertura do tapete vermelho ocorre às 17h e a cerimônia está marcada para às 18h.

Na mostra de longas brasileiros em competição, foi exibido, na segunda à noite, "Oeste outra Vez", de Eric Rassi, um filme rodado em Goiás em 2019. Dois homens, interpretados por Ângelo Antônio e Babu Santana, brigam por uma mulher. Um acusa o outro de ter "roubado" sua esposa.

Aquele que perdeu a mulher decide contratar um pistoleiro para matar o outro. Este matador de aluguel, Jerominho, é vivido pelo artista cearense Rodger Rogério, também compositor de clássicos da música do Ceará. Rodger, atualmente com 80 anos, já apareceu em filmes como "Bacurau". É uma figura muito carismática e imprimiu seu tom em cada cena, formando um sinérgico dueto com Ângelo Antonio.

O longa é um western no Cerrado. Apresenta um universo masculino em que os homens têm dificuldade de dialogar e, quando o fazem, nem sempre conseguem expressar seus sentimentos mais profundos, ficando em conversas de poucas palavras. Partem para a violência. "Percebi que as mulheres falam muito umas com as outras sobre questões internas. Os homens têm dificuldade de falar sobre seus sentimentos, são travas masculinas", observa o diretor.

Na sala de debates do festival, a equipe definiu a produção como um "western precário com uma montagem clássica não óbvia". Em cena, estão somente personagens masculinos. A única mulher que aparece no início fica apenas poucos minutos, dando as costas para homens brigando. "Não tinha mulher no elenco. Só homens patéticos. Mas tinha muitas mulheres atrás das câmeras, cerca de 70% da equipe era feminina", conta Babu sobre o set. "É um filme que fala sobre a fragilidade masculina", conta o ator.

NO CERRADO

Sobre atuar no Cerrado, Babu fala sobre sua experiência. "O filme é um primor, traz um retrato maravilhoso do Planalto Central, no portal da Chapada dos Veadeiros, clima seco. Para mim atuar ao lado de Ângelo Antônio foi uma realização, é um cara que eu acompanho desde moleque", completa.

Ângelo Antônio estava emocionado em Gramado. "Me impressionou muito ver o filme na tela. Quando a gente trabalha, construindo as cenas, a gente não tem noção do que virá. Fiquei encantado, foi um elenco que teve uma sintonia muito grande com aquela natureza. Os personagens são homens perdidos, precisam aprender o valor do diálogo. É um filme que estou muito feliz de ter feito", contou Ângelo Antonio. Sobre estar em Gramado, ele resumiu na palavra "gratidão".

O ator Daniel Porpino, natural de João Pessoa, Paraíba, também integra o elenco como outro matador de aluguel, Antonio, e opina: "O filme mostra o quão terrível seria o mundo sem o feminino". A trilha sonora conta com canção de Nelson Ned, que dá o tom da tristeza por um amor perdido. O filme deve chegar aos cinemas brasileiros entre janeiro e fevereiro de 2025.

Acompanhe a análise de Adriana Androvandi sobre o filme e as considerações de Ângelo Antônio e Babu Santana sobre a produção:

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