A fase precedente, a de redução dos vernizes, foi particularmente tensa nos últimos meses, com a saída de dois especialistas da Comissão Científica Consultiva, criada pelo Museu para receber aconselhamentos sobre o trabalho sensível de restauração. Ségolène Bergeon Langle, curadora geral do patrimônio, demitiu-se no dia 20 de dezembro. Jean-Pierre Cuzin, que dirigiu o Departamento de Pinturas do Louvre, partiu no outono.
A restauradora de origem italiana Cinzia Pasquali, que trabalhou nas pinturas da Galeria dos Espelhos de Versalhes, iniciou há algumas semanas o restabelecimento dos retoques. "É um período um pouco diferente. Tudo é reversível, ao contrário da fase de redução dos vernizes que causa muitas tensões", declarou Vincent Pomarède, diretor do Departamento de Pinturas do Louvre. "Será certamente um período mais sereno", afirmou.
"No entanto, é muito importante porque isso condiciona o aspecto do quadro, seu equilíbrio", acrescentou Pomarède.
Iniciada em Florença em 1503, esta pintura sobre madeira que representa a Virgem, sua mãe Ana, e o menino Jesus, é uma obra inacabada da maturidade de Leonardo de Vinci (1452-1519).
Definida em 2009, a restauração começou em 2010. Cinzia Pasquali é assistida pelo Centro de Pesquisa e de Restauração dos museus da França (C2RMF). A comissão científica, que se reuniu no dia 3 de janeiro, teve "uma opinião positiva sobre a redução dos vernizes e da retirada pontual de alguns retoques", informou Pomarède. "Dois ou três especialistas quiseram ir mais longe sobre algumas partes, principalmente em relação a troncos de árvore secundários (acrescentados no século XIX)", revelou. Pomarède decidiu, no entanto, mantê-los.
Em troca, deu sinal verde para suavizar um branqueamento no corpo do menino. Foi levantada a questão sobre se tratava de um mofo, um verniz microfissurado, ou uma cor original do pintor. Persuadida de que se tratava de um verniz alterado, Cinzia Pasquali queria retirá-lo. Ségolène Bergeon Langle não queria uma decisão precipitada.
"Recebi os resultados do laboratório que são taxativos. Tive a convicção íntima que se tratava de um mofo", explicou Pomarède. "A olho nu, o resultado final o confirma", assegurou. "Sobre esta questão estivemos em desacordo" com Ségolène Bergeon Langle, admitiu ele. Bergeon Langle declarou ter deixado o comitê consultivo "por vários motivos". "Considerei que a conduta de restauração não estava de acordo com a que achava necessária para este quadro do Louvre", criticou. "De maneira geral, prefiro que se limpe pouco uma obra mais antiga, porque não se encontra hoje as cores originais", declarou a especialista.