No palco, a peça que foi agraciada com o 7º Prêmio APTR de Teatro mostra um escritor sem um único título, que luta para enfim terminar uma peça sobre um homem solitário, que processa suas ideias em cima de um palco e vive às turras com a recordação de Berenice, sua ex-mulher. Segundo Gregório Duvivier, “a peça fala da solidão de um autor obsessivo. Abandonado pela mulher amada, ele tem que escrever uma peça que faça ela voltar. Mas a obsessão pela mulher o impede de pensar na peça. Aos poucos vamos vendo que a peça que estamos assistindo é a peça que ele está escrevendo, num jogo infinito de espelhos. Voltando às palavras de João: “A peça fala sobre uma coisa que todo mundo sente. Desejo de ser amado. E até onde isso pode levar”.
Para essa montagem, João Falcão optou por uma encenação nua, crua e espartana. Não há nada sobre o palco. Nada além do ator. É uma caixa-preta. Essa caixa se revela ora casa do ator, ora a cabeça do ator, ora a lua, onde o autor passa as noites. “Queria uma encenação econômica, diz João, o ator desapoiado de cenários, cadeiras ou praticáveis, sem caminhadas, nada.” Durante toda a peça, o ator quase não sai do metro quadrado central. E dentro dele, tudo acontece. Maximizam-se as possibilidades cênicas de um espaço restrito, localizando o ator dentro desse não lugar que é o lugar do pensamento.
Toda a iluminação da peça é feita por moving lights, que, como o nome indica, são luzes móveis, que não param quietas. Muito comuns em shows de música, o uso no teatro ainda é raro. A mobilidade constante da luz faz com que ela se torne, nessa peça, muito mais que luz. Ela é cenário, trilha sonora e mil personagens. Ela esvazia o palco quando é preciso, e o povoa em uma fração de segundo também. A trilha sonora de “Uma Noite na Lua” foi gravada em Buenos Aires, com cordas de todos os tipos: violão, violoncelo, violino e contrabaixo.