Para quem está pensando em entrar no Bolão do Oscar em 2024, aqui vai um aviso: esta talvez seja a edição mais complicada dos últimos tempos. Se em anos anteriores, muitas das categorias eram jogo-jogado, desta vez a coisa é diferente. Bem diferente. Nas categorias principais, à exceção dos prêmios de atriz e ator coadjuvante, no resto reina a indefinição.
Em termos de indicações, "Emilia Pérez" concorre em 13 categorias. "O Brutalista" e "Wicked" estão logo atrás, com 10 cada. Mas a verdade é que em 2024, a tendência é que os prêmios sejam diluídos entre os vários candidatos. Salvo surpresas, se alguém levar três ou quatro para casa, será demais. E neste aspecto, quem se der melhor nas categorias técnicas pode ficar na dianteira. Ponto para "Conclave", "O Brutalista" e "Wicked".
TERMÔMETRO
Geralmente, a temporada de premiações que antecede o Oscar serve como um termômetro do que se esperar para aquele que é considerado o grand finale. O problema é que neste ano, em muitos casos, os prêmio mais confundiram do que esclareceram. Sim, será uma surpresa se Zoe Saldaña ("Emilia Pérez") e Kieran Culkin ("A Verdadeira Dor") não levaram os prêmios de coadjuvantes. Ainda que aqui uma ressalva precise ser feita. Ambos estão ótimos em seus respectivos papéis, mas nenhum deles na prática é coadjuvante, os dois são protagonistas em seus filmes. Enfim, voltando, a verdade é que não há certeza para quase nenhuma outra categoria.
Vejamos a principal. Antes das primeiras premiações, muitos, como a revista Variety, previam que esse seria o ano de "Wicked", que faria a limpa. O musical, contudo, passou em branco nos prêmios principais e perdeu força. No início de janeiro, após o Globo de Ouro, quem surgia com mais força era "Emilia Pérez" e "O Brutalista". As polêmicas em torno dos tuítes inapropriados da atriz Karla Sofía Gascón, porém, desidrataram o primeiro a ponto de praticamente só ter chance em três das 13 categorias em que concorre.
A BOLA DA VEZ
A bola da vez passou a ser apenas "O Brutalista". Mas aí vieram as premiações dos sindicatos dos produtores e diretores, bastante significativas para Hollywood. E elas coroaram "Anora", que disparou no favoritismo. Se ganhasse então o troféu de melhor elenco no Sindicatos dos Atores (SAG), aí estaria tudo decidido. Só que deu "Conclave" e tudo embolou de novo. A bola ainda parece estar com "Anora", mas não tem nada de jogo-jogado.
O mesmo vale para outras categorias. Sean Baker ("Anora") deve levar a estatueta de melhor diretor, mas não será surpresa se ela parar nas mãos de Brady Corbet ("O Brutalista"). Na disputa do Oscar de ator, o Bob Dylan de Timothée Chalamet ganhou gás ao vencer o SAG, mas será preciso o VAR para ver quem cruzará a linha de chegada na frente: ele ou Adrien Brody ("O Brutalista").
A VEZ DO BRASIL?
Por fim, mas não menos importante, resta nossa torcida pelo Brasil. "Ainda Estou Aqui" é, fácil, o melhor filme entre os dez candidatos, assim como Fernanda Torres dá um show. Mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Hollywood, no geral, premia os seus. E neste sentido o arco de redenção de Demi Moore ("A Substância") é tentador demais para os votantes irem por outro caminho. Ela é a favoritaça, seguida de Mikey Madison ("Anora"). O que não significa que Fernanda está fora. Não está, e não por acaso o The New York Times apontou a brasileira como a favorita para ficar com o prêmio. Tomara, mas não é o mais provável.
Nossas maiores chances estão depositadas na categoria Filme Internacional, onde a disputa deve ser acirrada com "Emilia Pérez". No domingo saberemos o que contou mais, se a campanha pesada que a Netflix fez na produção francesa antes de ela cair em desgraça pelos tweets de Sofía Gascón ou a força que “Ainda Estou Aqui” ganhou na reta final. Há uma espécie de consenso vindo de Hollywood de quem assiste ao filme brasileiro sai impactado. A questão é ele chegar aos votantes. Se vai dar ou não, só saberemos domingo. Por enquanto, só a certeza de que nunca estivemos tão perto.
Acompanhe a lista de favoritos e das zebras da premiação do Oscar na edição 300 do podcast CPop: