Unimúsica revive a história do Carnaval de Porto Alegre

Unimúsica revive a história do Carnaval de Porto Alegre

Na segunda noite do festival, o grupo Afro-Sul Odomodê transformou o palco do Salão de Atos da Ufrgs em avenida com o show “Reminiscências”

Leticia Pasuch*

Apresentação fez releitura de desfiles realizados por escolas de samba de Porto Alegre

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É carnaval no Unimúsica 2023. A edição deste ano de um dos projetos culturais mais antigos de Porto Alegre está levando a avenida para o palco, celebrando o carnaval, sua potência de produção de saberes e a sua contribuição para a cultura brasileira com shows, oficinas, conferências, apresentação de trabalhos e rodas de conversas.

Integrando a programação do festival, na última sexta-feira, segunda noite, o grupo Afro-Sul Odomodê apresentou o espetáculo “Reminiscências”, no Salão de Atos da Ufrgs. Com direção de Iara Deodoro, a apresentação enalteceu o histórico da relação do grupo com os carnavais da Capital a partir de uma releitura dos desfiles realizados pelas diversas escolas de samba, do Complexo Cultural do Porto Seco à Avenida Carlos Alberto Barcellos, o Roxo.

 “Ah, Porto Alegre de outrora, entre confetes e serpentinas vivia a folia em uma aura romântica, inebriante como lança-perfume”, foi o pontapé dos relatos da história da Porto Alegre foliã. Em um telão, imagens e vídeos dos carnavais do passado eram revividos a cada samba apresentado, sob os aplausos da plateia que lotou o Salão de Atos. As quase duas horas de espetáculo foram repletas de homenagens, manifestações culturais e de memórias carnavalescas. Ao total, 16 escolas de samba foram contempladas no escopo da apresentação, partindo dos carnavais desde as décadas de 30 e 40, passando pelos cordões e sociedades, até o formato de avenida. Foram três meses de ensaio e preparação do grupo para o show.

O figurino, assinado pelo artista plástico, carnavalesco e um dos curadores do Unimúsica, Luiz Augusto Lacerda, foi inspirado tanto no tema-enredo de cada escola de samba quanto na presença que cada ala teve em seu respectivo ano de carnaval. O espetáculo evocou as reminiscências do carnaval porto-alegrense, que está imbricado na história da própria Capital. Foi potencializado também pela harmonia nas coreografias, ritmos afro-brasileiros que enaltecem a identidade negra e figurinos que evocam ancestralidade e representatividade.

Para Leonardo Oliveira da Silva, bailarino e participante do grupo Afro-Sul, é uma grande satisfação estar presente na edição do festival dedicado ao Carnaval, visto que o Afro-Sul Odomodê batalha por cultuar tradições afro-gaúchas. “A gente tem o Carnaval como uma grande manifestação negra, e a gente sabe o quanto a sociedade, a partir das suas amarras, renega a nossa cultura, o nosso potencial de arte. Então, estar aqui pisando nesse palco da Ufrgs, no salão de Atos, é muito importante para que a gente consiga se conectar com outras pessoas, e atingir um outro universo de público”, diz.

Com o título "alô, harmonia!", bordão que o intérprete Carlos Medina (1947-2011) entoava em seus ensaios e os desfiles das escolas de samba de Porto Alegre, a edição do projeto cultural deste ano tem o objetivo de valorização da memória viva do carnaval. A programação de shows segue no dia 17, quando Bambas da Orgia e Imperadores do Samba, as duas agremiações mais premiadas do carnaval de Porto Alegre, sobem ao palco do Salão de Atos. No dia 18, o espetáculo “Aos mestres, com carinho”, será dedicado a personalidades e mestres do carnaval, como Claudio Barulho, Maria Helena Montier, Onira Pereira, Nilton Pereira e Wilson Ney. 

Haverá também duas conferências: no dia 10 de agosto, às 19h, Nei Lopes ministrará a "Samba e Carnaval: encontros e desencontros". Já no dia 11, às 19h, será Milton Cunha, coreógrafo, designer de figurinos e comentarista de carnaval, com “Uma procissão, vários discursos”. Nos dias 10 e 11 de agosto, serão apresentados trabalhos de pesquisa sobre carnaval – de graduação, mestrado e doutorado ou relatos de experiências com o tema em ensino e extensão. E até o dia 2 de setembro, haverá uma oficina de percussão com Alexandra Amaral, pioneira entre as mulheres mestras de bateria de escolas de samba do Brasil. 

Os ingressos dos eventos estão praticamente esgotados, mas caso haja poltronas desocupadas no dia, o acesso será permitido por ordem de chegada, mediante doação de 1kg de alimento não perecível. Criado em 1981 pela Pró-Reitoria de Extensão da Ufrgs, o Unimúsica propõe a difusão da música popular brasileira, divulgando a produção de músicos e pensadores através de séries temáticas

* Supervisão de Adriana Androvandi


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