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Universo feminino é tema de longa-metragem de cineasta gaúcha

"A Primeira Morte de Joana", de Cristiana Oliveira, tem estreia prevista para 2020

Gravações foram feitas em Osório
Gravações foram feitas em Osório Foto : OKNA Produções / Divulgação / CP
A cineasta gaúcha Cristiane Oliveira retoma o universo feminino e juvenil em seu segundo longa, "A Primeira Morte de Joana", com estreia prevista para 2020. A personagem central é Joana, uma menina de 12 anos, que enfrenta as transições e descobertas do início da adolescência. Rodado no Rio Grande do Sul, entre novembro e dezembro de 2018, e com produção de Aletéia Selonk, a locação principal foi na cidade de Osório e seus arredores.

Cristiane antecipa que "A Primeira Morte de Joana" traz os questionamentos típicos do início da adolescência, momento no qual começamos a nos posicionar no mundo como indivíduos, a identificar como os rótulos sociais tolhem as capacidades humanas e a nos revoltar diante de expectativas que não se afinam com nossa natureza. "O filme surgiu da vontade de falar de coragem, da coragem que é necessária para se ser plenamente o que se quer ser", ressalta. Como no seu primeiro trabalho "Mulher do Pai" (2016), o entorno – situação econômica e social - também são importantes para o desenrolar da trama. Nesta perspectiva, revela Cristiane, Joana terá suas batalhas na comunidade em que vive para poder fazer suas próprias escolhas.

Na cidade de Joana, que é uma cidade fictícia, um parque eólico está sendo construindo. A paisagem muda enquanto Joana vive um momento de profunda transformação em sua vida também. A diretora pontua que os cataventos surgem como algo novo que interferem na vida de Joana e que terão parte na trama até o desfecho. Já o nome do filme foi inspirado por uma frase de Mario Quintana que diz: “Amar é mudar a alma de casa”. Segundo a cineasta, quando a alma sai de sua casa, isso pode significar a morte do corpo, mas também a perda do controle que significa amar. Não se vive mais centrado em si, mas se vive também em função do outro. "A Primeira Morte de Joana" evoca mortes simbólicas e outras reais que ocorrem na história da protagonista.

Para a seleção do elenco, a produtora Nadia Mendes e Cristiane conheceram mais de 70 meninas para chegar à dupla de amigas Joana e Carolina. "A preocupação era achar duas meninas que tivessem química para atuarem juntas e afinidade com a história e achamos isso nas atrizes Letícia Kacperski e Isabela Bressane", detalha Cristiane. Depois de escolhidas as duas meninas, elas procuram o elenco adulto que pudesse compor fisicamente uma família com elas. Entre eles estão Roberto Oliveira, Lisa Becker, Rosa Campos Velho e Emílio Speck.

Para Cristiane, a boa repercussão do seu primeiro, "Mulher do Pai", com estreia no Festival de Berlim, em 2017, e com 19 prêmios recebidos em festivais no Brasil e no exterior, entre eles o de Melhor Direção no Festival do Rio, o prêmio da FIPRESCI no Festival Internacional do Uruguai e o de Melhor Roteiro no Cinema Jovem, na Espanha, ajudou a viabilizar esse seu segundo longa. Em 2014, o projeto de "A Primeira Morte de Joana" foi contemplado no edital de desenvolvimento PRODAV 05/2013, do Fundo Setorial do Audiovisual. O seu terceiro projeto, "Até que a Música Pare", já está garantido e conquistou o Edital Brasil-Itália para Desenvolvimento (Ancine/DGC) e teve coprodução firmada com Itália e Alemanha.

Radicada em São Paulo, Cristiane estreou na direção com o curta de ficção “Messalina” (2004), exibido na competição dos Festivais do Rio, Gramado e Brasília e com vários prêmios conquistados, como o Kikito de Prêmio Especial do Júri. Dirigiu mais dois curtas, “Hóspedes” (2008), e “Portualleria” (2007) e atuou como assistente de direção e roteirista no longa “Nove Crônicas para um Coração aos Berros”, de Gustavo Galvão, premiado pelo júri da FIPRESCI no Festival Internacional do Uruguai. O diferencial no trabalho de Cristiane, evidenciado no seu primeiro filme, está na sua sensibilidade em criar um unidade entre interior e exterior e em dar tempo para que as situações cheguem ao seu limite de necessária mudança.

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