O diretor do espetáculo, Alberto Zimberg, retorna ao festival dois anos após apresentar "Los Padres Terribles", texto de Jean Cocteau, com o qual conquistou o principal prêmio uruguaio de artes cênicas, o Prêmio Florencio 2009 de Melhor Espetáculo. O elenco de "El Rey se Muere" é o mesmo daquele espetáculo muito elogiado no Em Cena, com Roberto Bornes, Noelia Campo, Carla Moscatelli, Sergio Muñoz, Sebastián Serantes e Leonor Svarcas. Nesta entrevista ao Correio do Povo, o diretor Alberto Zimberg fala sobre a escolha do texto, processo de criação, a contemporaneidade do texto de Ionesco, entre outros assuntos.
Correio do Povo – Por que a escolha deste texto de Ionesco no qual o rei Berenguer renuncia a aceitar a sua morte?
Alberto Zimberg – Como grupo, estamos investigando uma linguagem teatral que busca o que podemos chamar de Teatro do Absurdo, então nada melhor do que introduzir o mundo fascinante do mestre do Teatro do Absurdo, como é Eugene Ionesco. Esse é um texto mais filosófico do que absurdo, que remonta a última fase de Ionesco. Não fala só da impossibilidade de aceitar a morte, mas da não aceitação da culminação de uma época, de uma etapa. Trata-se de tomar consciência de que somos todos finitos, desde um simples mortal até um homem mais poderoso, como rei Berenguer. É indispensável aceitar que se está terminando uma fase para poder começar uma nova.
CP – Como foi o processo de criação do espetáculo?
Zimberg – O processo de criação nesse caso, se iniciou já desde a tradução e a versão do texto, respeitando a sua poesia e a profundidade de seus diálogos, mas tornando-o mais atual, revitalizando-lo, buscando uma linguagem mais direta. Ao colocar o texto em cena, ele apontou para dinamizar um texto filosófico, sem muitas ou poucas ações através do ritmo, onde se prima pelo jogo e pelo humor à procura do absurdo através da palavra e, por conseguinte, a ação.
CP – O que mais marca, em termos de contemporaneidade, neste texto de Ionesco?
Zimberg – Uma peça atual, onde o tema da proximidade do fim do mundo está no tapete. Onde parece que os aspectos importantes da vida são aqueles que estão lá fora, que importa mais do que acumular ao nível do material e não o que vamos deixar em feitos, em ações, em palavras.
CP – Como foi a receptividade ao espetáculo no Uruguai?
Zimberg – Excelente, do público da crítica. A obra provoca risos, surpresa e comove pela profundidade de um texto inteligente pelas mãos de um grande dramaturgo como é Ionesco. E com uma equipe de atores e técnicos que estão sintetizando e potencializando a obra a cada proposta.
CP – O senhor já esteve no Porto Alegre Em Cena outras vezes, inclusive com a premiadíssima Los Padres Terribles. Como o senhor vê este intercâmbio entre Porto Alegre e Montevideo pelo festrival?
Zimberg – Muito frutífero, permite crescer através do intercâmbio e do olhar do outro e ainda mais saindo do nosso país. Neste caso, não só para os artistas brasileiros, mas de todo o mundo. O Porto Alegre Em Cena é um festival já assentado e reconhecido e que nos brinda com todo o seu apoio e a sua arte para fazer o grupo convidado se sentir em casa.
CP – Conte-nos em poucas palavras quem é o diretor Alberto Zimberg?
Zimberg – Ator e diretor que quer seguir surpreendendo-se com o que vê e com o que faz.