A eleição será em maio, e outros candidatos têm até o fim de abril para se inscrever. Na quinta-feira, o poeta Marco Lucchesi, candidato único à vaga deixada pelo Padre Fernando Ávila há quatro meses, deverá ser aclamado.
Gullar, que vem sendo paquerado pela academia há décadas, havia aceitado o convite feito por alguns acadêmicos - seria também candidato único, numa eleição pró-forma -, mas desistiu ontem. "Acordei em depressão. Não tenho nada contra a Academia, tenho muitas amizades lá, mas não é a minha praia. Eu pensei: `Estou com 80 anos e isso não está me dando qualquer alegria, não é o tipo de coisa que eu quero.' Então por quê? A Academia é pra sempre!", desabafou.
Bem próximo dos acadêmicos José Sarney, Antônio Carlos Secchin e João Ubaldo Ribeiro, entre outros, o poeta maranhense lembra que a insistência para seu ingresso na ABL aumentou com a morte do poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto, em 1999. Mas antes disso outros convites já haviam aparecido."Eu não sou uma pessoa acadêmica, que goste de pertencer a uma instituição. Tinha aceitado porque foi um convite, então isso muda a relação, não posso ficar bancando o arrogante", disse.
Os dois candidatos já têm relações com a casa. A bibliografia de Antonio Torres, que tem 70 anos, tem 17 livros, e há dez ele ganhou o Prêmio Machado de Assis, da ABL, pelo conjunto de sua obra. Ele já havia concorrido antes, em agosto de 2008. Merval tenta pela primeira vez. Tem 60 anos e publicou em livros reportagens e artigos que escreveu para jornais. O último, "O Lulismo no Poder", foi lançado na ABL, em setembro do ano passado.