A vala comum onde foi enterrado o poeta espanhol Federico García Lorca teria sido removida pouco depois de sua morte, segundo os trabalhos de um cientista que volta a aventar a hipótese segundo a qual seus restos teriam sido retirados do local, informou nesta quinta-feira o jornal ABC.
O governo da região de Andaluzia (sul da Espanha) decidiu abrir a vala de Alfacar, perto de Granada, onde estariam os restos do poeta (1898-1936) junto aos de outras três pessoas (um professor e dois anarquistas), fuziladas pelos franquistas em agosto de 1936, um mês depois de iniciada a Guerra Civil espanhola (1936-1939).
Desde setembro se encontra em andamento os trabalhos de análise do terreno prévios à exumação prevista para o final de outubro. O cientista espanhol Luis Avial disse que estava convencido de que a vala havia sido removida pouco depois da morte do poeta depois de ter inspecionado a zona com um geo-radar, um aparelho usado para traçar um mapa subterrâneo. "A terra foi removida uns dois metros de extensão e 50 centímetros de largura pouco depois dele ser enterrado", explicou.
Esta descoberta renova a hipótese de alguns historiadores de que os parentes do poeta teriam conseguido resgatar seus restos para enterrá-lo na residência de veraneio da família, em Huerta de San Vicente, em Granada. "É possível que no dia seguinte do enterro (de Lorca e outros dois fuzilados) tenham aberto novamente a fossa para enterrar os outros dois corpos", acrescentou o cientista
A família Lorca sempre se opôs à abertura da vala de Alfacar. Mas, na véspera do fato, anuncou que fornecerá seu DNA para identificar os restos de seu parente e dispor deles se a justiça autorizar a exumação.
Vala de García Lorca teria sido removida logo depois de sua morte
Descoberta renova a hipótese de parentes do poeta terem enterrado seus restos em Granada