Arte & Agenda

"Vamos tocar para nossos irmãos", diz diretor musical da Buena Vista

Em entrevista, Jesús Ramos fala da orquestra que toca domingo em Porto Alegre

Buena Vista Social Clube se apresenta neste domingo no Araújo Viana
Buena Vista Social Clube se apresenta neste domingo no Araújo Viana Foto : Carlos Pericars / Divulgação / CP
Quando ministrou conferência em Porto Alegre em agosto de 2008, o cineasta alemão Wim Wenders disse acreditar realmente que as histórias pessoais é que valiam a pena ser contadas. Por acreditar nisso que Wim Wenders foi um dos responsáveis por popularizar o disco "Buena Vista Social Club", que Ry Cooder havia lançado com músicos cubanos que estavam meio no ostracismo em 1997, com o lançamento em 1999 do documentário homônimo.

De lá para cá, apesar de perdas como as mortes de Compay Segundo (2003) e Ibrahim Ferrer (2005), a Orquesta Buena Vista Social Club segue encantando o mundo com o melhor da música cubana, do mambo ao bolero, da rumba à guajira. Neste domingo, dia 5, às 19h, no Auditório Araújo Vianna (Osvaldo Aranha, 895) o grupo apresenta a turnê de celebração de 15 anos do lançamento do disco (16 anos em 2013), com participação especial da cantora Omara Portuondo. A abertura será do músico gaúcho Eduardo Ferreira.

No repertório, devem estar presentes as clássicas "Chan Chan", "El Cuarto de Tula", "Dos Gardenias" e "De Camino a La Vereda", esta em homenagem a Ibrahim Ferrer. O diretor musical da orquestra, o trombonista Jesús "Aguaje" Ramos - remanescente da formação original, junto com Guajiro Mirabal (trompete) e Barbarito Torres (alaúde), fala em entrevista ao Correio do Povo sobre a longevidade do projeto da orquestra, a participação de Omara Portuondo no concerto e sobre os brasileiros, considerados "irmãos" dos cubanos pelo músico.

Correio do Povo - O que a orquestra tem a celebrar nestes mais de 15 anos do lançamento do disco?

Jesús "Aguaje" Ramos - Sobretudo temos que celebrar a oportunidade que a vida nos dá de seguir desfrutando do que mais gostamos, que é a música. Para nós, é um autêntico luxo poder seguir girando pelo mundo e levando nossas tradições e cultural por onde vamos.

CP - O que mudou na música cubana e caribenha desde então?

Jesús - A verdade é que a cultura musical cubana é muito ampla e ao mesmo tempo muito respeitosa. Há uma tradição e uma cultura musical muito profunda na ilha. Os músicos recebem uma base muito boa e ao mesmo tempo estamos abertos a experimentar novos ritmos e sons.

CP - Que músicos podemos destacar na formação atual da orquestra?

Jesús - Da formação original continuamos hoje em dia Omara Portuondo, Barbarito Torres, Guajiro Mirabal e este que fala, Jesús Aguaje Ramos. Além destes, contamos com a presença de um grupo de músicos jovens e muito talentosos como os cantores Calunga e Idania Valdez, assim como Guajirito Mirabal, neto de Guajiro e Rolando Luna ao piano. Eles nos apontam o frescor e a energia, além de serem excelentes músicos.

CP - Como será a participação de Omara Portuondo no show?

Jesús - Para nós será sempre um prazer que a senhora Portuondo nos acompanhe nas turnês da Orquesta Buena Vista. Ela interpretará clásicos como "Veinte Años" e "Quizás Quizás Quizás" e também alguma outra surpresa que não revelaremos. Melhor que vejam ali mesmo, na hora.

CP - Qual o sentimento de vocês em relação ao público brasileiro?

Jesús - Para nós falar do público brasileiro é como falar de irmãos. Vamos tocar para nossos irmãos. Nos identificamos muito com a sua gente, sua cultura e sua tradição musical. Na última vez em que estivemos no Brasil em 2011, fomos convidados para assistir a um ensaio da escola de samba Portela. Foi uma experiência muito especial. Verdadeiramente nos sentimos da mesma família, compartilhando o mesmo pensamento e sentimento em muitos sentidos”.


CP - Como vocês lidam com perdas (mortes) como as de Compay Segundo e Ibrahim Ferrer?


Jesús - As perdas são sempre muito duras de aceitar, principalmente quando são pessoas tão próximas e que participaram tão ativamente do projeto. Para nós, é muito importante continuar com o legado deles, rendendo uma homenagem especial em cada concerto, interpretando alguns de seus temas ao vivo, como é o caso de Ibrahim Ferrer, com o tema "De Camino a La Vereda".


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