Arte & Agenda

Veja como foram as escolas na segunda noite do Carnaval de Porto Alegre

Nove agremiações e uma tribo agitaram público no Porto Seco

Estado Maior da Restinga fez um belo Carnaval
Estado Maior da Restinga fez um belo Carnaval Foto : Pedro Piegas

A segunda noite de desfiles do Carnaval de Porto Alegre no Complexo Cultural do Porto Seco abriu alas para nove escolas em busca dos títulos das séries Prata e Ouro. A festa contorno também com desfile da tribo Os Comanches.

Neste ano, as escolas do sábado apostaram em homenagens e lutas contra desigualdades. Confira os destaques de cada apresentação:

Como remanescentes da era de ouro das tribos carnavalescas, Os Comanches abriram a segunda noite de desfiles. A agremiação, fundada em 10 de outubro de 1959, conta a história mitológica de Cecí e Atanauá, do povo Kaiowá. O enredo celebrou a vitória do amor sobre o mal e a união do povo Guarani, com um desfecho de felicidade e esperança.

A disputa pelo acesso em 2026 começou com a Academia de Samba Praiana. A escola levou para a avenida a magia e o simbolismo do Verde e Rosa em um desfile repleto de poesia e encanto.

Comemorando os 65 anos da agremiação, o enredo exaltou o Verde da esperança, da renovação e da vida, e o Rosa da força feminina, da beleza e do amor. Inspirada na tradição da Mangueira, a Praiana fez de seu desfile uma vibrante aquarela de emoções, onde a sincronia das cores refletiu a alegria, a energia e o orgulho dos integrantes.

Inspirado na literatura de cordel, o Mapa Unidos da Vila prestou homenagem à valentia e coragem de Maria Bonita. Com o enredo “Nesta Terra de Marias Uma História Foi Escrita, A Rainha do Cangaço Foi Maria Bonita!”, a agremiação reviveu momentos marcantes da história nordestina, destacando a força feminina.

O desfile trouxe alas com elementos do sertão, cenas do cangaço e referências ao romance com Lampião encerrando com uma exaltação às mulheres do Brasil. Destaque para o samba-enredo, interpretado por Evandro Medina e pelas Marias Bonitas Thalita Mença e Emily Sebaje, que caiu no gosto da arquibancada.

A Emily suspendeu o samba da Vila Mapa por mais de 56 minutos com a filha Laís, de um ano e quatro meses, no colo. A cena emocionou o público.

Emily com a filha, Laís | Foto: Pedro Piegas

Na sequência, o Império da Zona Norte comemorou seus 50 anos. Com o enredo “Pra Não Dizer que Não Falei de Flores” fez uma viagem cultural para resgatar memórias e trajetórias, exaltando raízes negras com temáticas fortes e impactantes. Na avenida, com garra e orgulho, a escola reafirmou seu compromisso com a cultura e a tradição do Carnaval de Porto Alegre.

A União da Tinga coloriu a passarela Carlos Alberto Barcelos Roxo com as outras transmissões de simbolismo, mostrando a conexão do povo com as tradições. Foi um desfile feito com garra e simplicidade pelos integrantes da agremiação, marcando o encerramento do grupo Prata em 2025.

Pelo grupo Ouro, a segunda noite de disputas começou com o Império do Sol. Campeã do acesso no ano passado, a escola de São Leopoldo agitou o Porto Seco com enredo que homenageou o município de Barra do Ribeiro, na região Metropolitana.

Repleta de paisagens e cultura gaúcha, o Império falou de tradições, belezas naturais e a chegada dos imigrantes. O samba-enredo que cantava a paixão de quem chega na cidade margeada pelo Guaíba também foi entoado das arquibancadas.

Após, a Unidos de Vila Isabel apresentou enredo Libertação. Foi um clamor por respeito, igualdade e tolerância. Foi mais um grande Carnaval da escola de Viamão, vice-campeã de 2023.

O desfile reforçou a importância da cultura negra como agente de transformação. Com um forte apelo por empatia e justiça, a escola chamou a sociedade a reflexão e a sonhar com um mundo mais humano, onde todas as pessoas possam viver em paz e dignidade.

Era 3h50 quando o Estado Maior da Restinga pôs o Porto Seco para dançar. A escola tradicional fez um desfile carregado de emoção.

Campeã do carnaval 2023, mostrou que vem para brigar pelo título deste ano. Fantasias bem elaboradas, carros alegóricos imponentes e a garra dos membros levantaram o público no Porto Seco.

A solidariedade foi o eixo principal do desfile dos Bambas da Orgia. O enredo falou do poder simbólico das mãos – que criam, acolhem, transformam e eternizam.

O tema surgiu do momento vívido pelos gaúchos após a tragédia climática no ano passado. A escola exaltou mãos que trabalham, protestam, aplaudem e se conectam.

Foi uma viagem no tempo que partiu do toque artístico de Michelangelo à arte de tocar tambor, das mãos que alimentam e escrevem a história. O belo desfile terminou com uma celebração especial à resiliência do nosso povo.

Última escola a desfilar no Carnaval de Porto Alegre neste ano, já no amanhecer deste domingo, a Imperatriz Dona Leopoldina trouxe para o desfile deste ano a luta contra o racismo no futebol. Com o enredo “A Cor do Futebol – A Imperatriz Marca um Gol Contra o Preconceito Racial”, a escola destacou a exclusão histórica de jogadores negros, a resistência das ligas negras e a ascensão de ídolos como Pelé, Barbosa e Tesourinha.

Foi uma homenagem também a clubes como Vasco da Gama, do RJ, e ao Observatório da Discriminação Racial no Futebol. A mensagem final reforçou que a batalha contra o racismo ainda não acabou.

Campeãs

As campeãs do Carnaval 2025 de Porto Alegre serão conhecidas nesta segunda-feira. A apuração começa às 14h30min no Complexo Cultural do Porto Seco.

Guia de Programação: a grade dos canais da TV aberta desta quarta-feira, dia 15 de julho de 2026

As informações são repassadas pelas emissoras de televisão e podem sofrer alteração sem aviso prévio