Arte & Agenda

Vencedores do Festival de Cinema de Gramado serão conhecidos hoje

Show da premiação ficará a cargo de Nei Lisboa

Público presente às exibições do Festival deu preferência aos longas nacionais, mas valorizou os latinos e os curtas
Público presente às exibições do Festival deu preferência aos longas nacionais, mas valorizou os latinos e os curtas Foto : Dani Villar / Press Photo / CP
O 42º Festival de Cinema de Gramado chega ao fim neste sábado, às 21h, com a entrega dos Kikitos aos filmes brasileiros e latinos vencedores da competição. Serão 37 prêmios, entre troféus e menções honrosas, para curtas e longas. A abertura será com show de Nei Lisboa. Em termos de público, o evento foi bem-sucedido. A Secretaria de Turismo do município estima que 200 mil visitantes devem circular pela cidade até domingo. No cinema, houve uma seleção de curtas que apostou no experimentalismo, fugindo de formatos tradicionais. Os longas nacionais apresentaram temas e estilos diversos, mas se pode dizer que apresentaram novas faces de um cinema brasileiro.

O festival iniciou a semana refletindo sobre a finitude da vida com o drama “A Despedida”, de Marcelo Galvão, que arrancou elogios a Nelson Xavier e Juliana Paes, fortes concorrentes nas respectivas categorias de atuação. Dois dramas de guerra revisitaram passagens históricas pouco lembradas em livros de história: “Senhores da Guerra”, de Tabajara Ruas, trouxe um drama de dois irmãos durante o conflito de 1923 no RS; e “Estrada 47”, de Vicente Ferraz, resgatou a participação da FEB na Itália, na 2ª Guerra. Do ponto de vista formal e técnico, “Estrada 47” angariava a preferência de vários críticos ao prêmio principal e também de fotografia, que exigiu trabalho especial para as cenas na neve. Em “Estrada 47”, um ator cativou o público: Francisco Gaspar como Piauí talvez seja o retrato mais pungente da insanidade da guerra, pela figura de um nordestino transtornado em meio à neve, obrigado a lutar por conflito que pouco lhe dizia respeito. Se não ganhar prêmio, Gaspar conquistou parte do público.

O mineiro “O Segredo dos Diamantes”, de Helvécio Ratton, é simpático, que pode ter carreira no circuito comercial, mas não agrega inovações para festivais. As surpresas criativas vieram com os musicais “A Luneta do Tempo”, de Alceu Valença, e “Sinfonia da Necrópole”, de Juliana Rojas. Com trilhas sonoras em destaque, apresentaram surpresas até para quem tem o olhar acostumado com a sétima arte. Juliana apostou em comédia transgressora ao ambientar sua história em ambiente sepulcral. O filme de Valença exibiu explosão de cores e nova abordagem de um regionalismo nordestino, presente em diálogos criados a partir do cordel. Estão entre os candidatos a prêmios de som e trilha.

A passagem de Valença pelo evento certamente marcará a história do festival. Alegre e animado, ele esbanjou carisma. Na coletiva, revelou que gostaria de falar cinco horas sobre o filme e lamentou por ter apenas uma hora. Ao falar da trilha do longa, cantou uma canção de Cauby Peixoto, deixando a sensação de que a entrevista virara um show. Os latinos abordaram temáticas diversas, que vão da solidão, da referência ao próprio cinema ao terrorismo. E confirmam o Festival de Gramado como um ponto de integração no continente.

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