Durante os 17 dias da 61ª edição da Feira do Livro de Porto Alegre foram comercializados 445 mil exemplares, isso significa 11,25% a mais em comparação ao ano anterior. No mesmo período, cerca de 1,5 milhão de pessoas circularam pela Praça da Alfândega, o que também representa um aumento de público de 7%. Os números foram divulgados na manhã desta terça-feira (17) pela direção da Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL).
Conforme a direção da CRL, a programação com assuntos atuais e alinhados ao tema da campanha deste ano, que propôs uma reflexão na sociedade com a ideia de que livros ajudam a pensar, os preços convidativos e o tempo seco, que predominou em grande parte do período, foram alguns dos principais fatores que contribuíram para elevar os números.
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O presidente da Câmara, Marco Cena, salientou que a maioria do público era de jovens. “Foi perceptível a presença maciça dessa faixa entre 15 e 25 anos.” A percepção reflete o cenário nacional, em que esse público tem impulsionado o mercado editorial. “Eles são economicamente ativos e acompanham seus ídolos,” avalia. Sessões de autógrafos de autores focados neste nicho, com duração acima de 4 horas, são bons exemplos.
Dilan Camargo ressaltou que conseguiu valorizar o presente que recebeu de ser o patrono da Feira, que considerou humana, demasiadamente humana, tal qual definiu o filósofo alemão Friedrich Nietzsche. "Pude fazer o que eu sempre quis, vir todos os dias à Feira e estar presente na maior parte das atividades. A Feira mostrou a sua essência, do encontro entre escritores e leitores e destes com seus pares, do encontro consigo mesmo e parecia aquelas primeiras décadas da Feira, tinha mais espaço, mais convivência. Saio dela mais comprometido com o tema do livro e da leitura, com as pessoas, com as entidades e com o meu fazer literário", afirmou.
Para Jussara Rodrigues, coordenadora das áreas Geral e Adulta, outro ponto importante foram os temas sintonizados com o momento atual. "Nestes tempos de intolerância, tivemos uma mesa do Seminário Internacional de Comunicação, com Juremir e os professores de França, EUA e Portugal, que tratou de um fato acontecido horas antes os atentados em Paris, mas tivemos grandes mesas como a da Annick Cojean, falando de jornalismo no mundo e na França e da violência contra mulheres na Líbia e países da África e do Oriente Médio, além de mesas históricas nacionais como a de Paulo Henrique Amorim, Lilia Schwarcz e Maria Rita Kehl", lembrou.
A Feira do Livro contou neste ano com 113 expositores. A programação para o público adulto recebeu 15 mil pessoas e contou com um total de 258 atividades, entre encontros, oficinas, apresentações artísticas e seminários. Na Área Infantil, foram 552 turmas agendadas, além das visitas sem agendamento, que participaram das 463 atividades, desde encontros com autores, ilustradores, seminários, contações de histórias, apresentações de teatro, oficinas até exposições, entre outras.
Acessibilidade
A 61ª Feira do Livro de Porto Alegre proporcionou acesso ao universo da literatura a todo tipo de leitor. Quem não enxerga as letras com os olhos, pôde tocá-las ou ouvi-las: as histórias chegavam às pessoas com deficiência visual através de livros em braile ou audiolivros.
Os que têm deficiência auditiva contavam com intérpretes de libras. Pessoas com dificuldades locomotoras podiam pegar emprestadas cadeiras de rodas; rampas de acesso também foram instaladas em toda a Praça da Alfândega.
Vendas na Feira do Livro crescem 11,25%
Preços convidativos e tempo seco foram um dos motivos associados ao aumento