O jardim-labirinto, de mais de 2 quilômetros, está localizado num dos sítios mágicos da cidade de Marco Polo, na ilha San Giorgio Maggiore, em frente à praça São Marcos. Foi planejado como um lugar para pensar, um espaço que convida à contemplação e que permite às vezes, ao visitante, perder-se entre seus arbustos.
A imagem do labirinto e dos caminhos intrincados inspiraram boa parte da obra literária de Borges, um dos autores mais destacados da literatura do século XX, autor de ensaios, contos e poemas. "Amava Veneza mesmo quando não podia vê-la", contou ao jornal La Repubblica a viúva de Borges, Maria Kodama, presente à inauguração.
Cego aos 55 anos, personagem polêmico por suas posições políticas que o impediram de ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, Borges é recordado em Veneza, cidade que visitou pela última vez em 1984, por sua obra fascinante e "onírica", diz a imprensa italiana. "Foram necessários muitos anos de um trabalho paciente para criar o 'Labirinto de Borges'. Finalmente existe um na Europa", confessou a viúva do escritor.
O jardim-labirinto veneziano é o segundo maior do mundo, depois do que foi construído em 2003 em Los Alamos e em San Rafael, na Argentina. Visto do alto, o labirinto veneziano reproduz o nome de Borges escrito de trás para diante, num jogo de palavras e formas, de múltiplas interpretações, como toda sua obra literária. Por vontade de Maria Kodama, um corrimão no qual está gravado, em braille, o conto "El jardín de los senderos que se bifurcan", permitirá ao visitante cego encontrar a saída do local.