"O musical deixou de fora muita coisa boa da comédia, que é muito mais engraçada, incisiva. O musical era mais romântico, poético. Nosso grande trabalho foi recuperar o espetáculo", afirma Falabella sobre a versão que chega à Capital, sem corpo de baile, com as coreografias e também sem as 40 trocas de figurinos e cenários, que no musical abrangia 300 roupas e cem perucas. O ator esclarece que quando acabou o musical, que tinha 2h30min, ele fez questão de continuar fazendo a comédia, com 1h40min de duração.
Escrita por Jean Poiret para celebrar sua longa parceria nos palcos com Michel Serrault, "A Gaiola das Loucas" (La Cage aux Folles) estreou em 1973 em Paris, no Théâtre du Palais Royal. Imediatamente se transformou num dos maiores sucessos da história do teatro francês, ganhando traduções e adaptações pelo mundo, inclusive no Brasil, com atuações de Jorge Dória e Carvalinho.
Somente na capital francesa a peça foi vista por quase 1 milhão de espectadores, nas 2 mil apresentações que realizou. Em 1978, ganhou as telas, numa produção franco-italiana com Ugo Tognazzi e Michel Serrault, sob a direção de Édouard Molinaro. O filme recebeu duas sequências, em 1980 e 1985, e ganhou remake norte-americano, dirigido por Mike Nichols, em 1996, ambientado em Miami. Em 1983, o musical estreou na Broadway, arrebatando seis prêmios Tony e outros dois, na versão de 2004.
Georges é o dono de um cabaré em Saint Tropez, famoso pelos shows de transformistas, cuja vedete é Zazá, que sem maquiagem vira Albin, com quem é casado há 20 anos. Os dois criam Lourenço, 24 anos, fruto da relação de Georges com uma corista nos bastidores do Lido. Tudo se complica quando o jovem anuncia que vai se casar com Anne, filha única do Edouard Dieulafoi, presidente do Partido Família, Tradição e Moralidade, que prometeu erradicar os homossexuais da Riviera, caso fosse eleito.
Para Falabella, a trama segue atual, nesta época de homofobia, dadas as declarações do deputado federal Jair Bolsonaro. "Muito pouco se avançou em termos legais", diz. Satisfeito, completa que se trata de "uma noite feliz no teatro", por abranger um estilo como a farsa, que lhe agrada, especialmente por ter um material tão rico e inesgotável.