Uma receita para um excepcional show: rechear o setlist de clássicos, tocá-los como gravadas nos discos, e observar o horário de começar o espetáculo. Não tem como dar errado. E foi isso que fizeram as três bandas veteranas que se apresentaram no Monsters Tour nesta quinta-feira, véspera do Dia do Trabalho no Estádio Passo D’Areia, na zona Norte de Porto Alegre: Motörhead, Judas Priest e Ozzy Osbourne. A abertura foi da banda porto-alegrense Zerodoze.
A Zerodoze abriu os trabalhos um pouco antes do horário marcado para o início, que era às 18h30min. O trio mostrou composições próprias e também covers do Megadeth – Symphony of Destruction – e Iron Maiden –Wrathchild, que fizeram o já grande público presente bater palmas entusiasmadas.
Ainda era dia quando o Motörhead adentrou o palco, exatamente às 19h15min. Lemmy Kilmister, baixista e vocalista, do alto de seus 69 anos e com a poderosa voz rouca, disse “We are Motörhead and we play rock and roll” (Nós somos o Motörhead e tocamos rock and roll) antes de soltar o primeiro petardo da noite, Shoot you in the back. Na hora seguinte, a banda que ainda conta com o batera Mikkey Dee e o guitarrista Phill Campbell deu espaço para músicas do mais recente trabalho, o disco Aftershock. Até que apareceram as antigonas, preferidas da galera, como Metropolis, Doctor Rock, Stain Clean, Going to Brazil, Aces of Spade, que deixou os velhotes presentes na audiência satisfeitos, e enfim a finaleira com Overkill.
Intervalo e como o anunciado, às 21h15min, as luzes se apagaram e um agudo anunciou a entrada do Judas Priest e Rob Halford se sustentando com uma bengala. Apenas tipo, nada mais do que isso do Metal God. E quem disse que o vocalista não conseguia mais alcançar os famosos agudos que lhe fizeram fama ainda nos anos 1970 estavam enganados, pois ele simplesmente detonou, ao lado do novato guitarrista Richie Faulkner, substituto do aposentado K.K. Downing, em perfeita sintonia com o colega Glenn Tipton . A banda fica completa com o baterista Scott Travis e o baixista Ian Hill, que fica lá seu cantinho, discreto, mas muito, muito eficiente.
O show abriu com Dragonaut, do mais novo disco, Redeemer of Souls, que teve ainda executadas a faixa título e Halls of Valhalla. Só que a banda priorizou os seus hits, que são diversos. Vão de Metal Gods, Victim of Changes, Jawbreaker, Breaking the Law. O legal foi aparição de Turbo Lover, do disco Turbo, lançado em 1986 e que na época indignou os fãs, pois foram usadas guitarras sintetizadas. A música, porém, é fantástica, e fez a galera se emocionar. E de repente o barulho de motor e Rob Halford entra no palco pilotando uma motocicleta, para na sequência “destruir” tudo com Hell Bent for Leather. No bis, o arrasa quarteirão Painkiller e a finaleira com Living After Midnight. Showzaço. E ainda tinha o Ozzy Osbourne pela frente, que não esperou até as 23h para aparecer diante do público, formado por pessoas de todas as idades mesmo.
Os relógios marcavam apenas 22h53min quando o show começou. E era possível ver na audiência garotinhos de seus seis, sete anos de idade, adolescentes, os trintões e os já cinquentões, que cresceram escutando essas músicas maravilhosas, ainda no tempo do vinil. Ozzy parecia um pinto no lixo de tão feliz que estava, conversando com a plateia, pedindo que levantasse as mãos e jogando a todo momento um jato de espuma nos espectadores.
O vocalista de 66 anos, natural de Birmingham-ING, e revelado pelo Black Sabbath, é acompanhado pelo excelente guitarrista Gus G., pelo baixista Rob Nicholson, pelo baterista Tommy Clufetos e pelo tecladista e guitarrista Adam Wakeman, que nada mais é do que o filho da lenda Rick Wakeman, ex-tecladista do Yes.
A festa começou com Bark At The Moon, passando por Mr. Crowley, Suicide Solution, I Don’t Know, Shot in the Dark, Road to Nowhere e I Don’t Want to Change the World. Nem deu para reclamar das ausências de Mama I’m Coming Home e No More Tears. Claro que não faltaram as pérolas do Black Sabbath, como Fairies Wear Boots, War Pigs e Iron Man, que tiveram Adam Wakeman fazendo a guitarra base. A penúltima música foi Crazy Train e o término teve mais Sabbath, com o clássico Paranoid.
Então, as luzes se apagaram e o feitiço se desfez. As pessoas ficaram ali esperando que a magia continuasse, mas não. Após mais de quatro horas, estava tudo terminado. Nas caixas de som passou a tocar, como despedida, Changes, também do Sabbath, mas num delicado dueto de Ozzy com sua filha Kelly. Ficou aquela sensação de quero mais, quero mais.
Veteranos do Metal trazem magia ao Monsters Tour
Ozzy Osbourne agradou público de todas as gerações em Porto Alegre