Arte & Agenda

‘Vingança’ exalta a dor de cotovelo presente nas músicas de Lupicínio Rodrigues

Musical escrito por Anna Toledo que traz uma cirande de paixões entre amantes está hoje e amanhã no Theatro São Pedro

Três casais vivem história com muitas intrigas, ciúmes, traições e amores.
Três casais vivem história com muitas intrigas, ciúmes, traições e amores. Foto : Cario Galucci / Divulgação / CP

A pós nove anos de sua apresentação no Porto Alegre em Cena, “Vingança”, de Anna Toledo, volta à cidade de sua maior inspiração: Lupicínio Rodrigues (19147-1974). Com metade do elenco original e metade renovado, o musical ambientado nos anos 1950 exalta o gênero “dor de cotovelo”, expressão criada pelo compositor, em seus sambas-canções. As apresentações acontecem às 21h desta sexta e sábado, no Theatro São Pedro (Praça da Matriz, s/nº). 

André Dias assina a direção geral e Guilherme Terra, a musical da ciranda de amores e paixões com texto original de Anna Toledo, que sobe ao palco junto com seis atores e três músicos. Sucessos de Lupicínio, como “Nervos de Aço”, “Nunca”, “Ela Disse-me Assim” e “Vingança” ilustram essa história envolvendo amores não correspondidos, intrigas, ciúmes e traições. “A dor de cotovelo é precursora da sofrência, até no fato de ter sido alvo de preconceito por parte da crítica intelectualizada, mas abraçada pelas massas. Seja chamada de fossa ou brega, é sempre um lugar que resvala no melodramático”, afirma Anna Toledo sobre o estilo, só aceito pela crítica na década de 70, quando foi gravado por nomes como Caetano Veloso e Maria Bethânia. E como um bom melodrama, “Vingança” toca em questões sensíveis, como o machismo, a violência, a hipocrisia e as várias formas de abuso. “Talvez estas questões fiquem mais evidentes hoje, em 2022, do que foram em 2013, quando a peça estreou.”, fala o diretor geral.

Repleto de triângulos amorosos, o espetáculo de época se passa em um ambiente boêmio e também em uma casa de família. Frequentador de um cabaré, um boêmio, casado, se relaciona com uma dançarina, que por sua vez tem como amante, um bicheiro poderoso. Este mantém um relacionamento com uma cantora de cabaré, que durante o dia trabalha numa casa de família. “O ambiente é propenso a muita confusão. Estamos falando de muitas aparências, de uma sociedade que coloca a mulher em planos restritos: a feita para casar e a de objeto de desejo, que paga um preço muito alto”, comenta Anna. Como as mulheres devem agir em um mundo com regras criadas pelos homens e as armas que irão usar para sobreviver nele são ingredientes da trama. 

Anna se orgulha do público conquistado em 2013 e 2014, quando o musical esteve em cartaz e que se manteve, crescendo com o disco homônimo, disponível no Spotify. “Mantivemos o interesse e vitalidade do espetáculo. Temos uma geração nova que o conheceu pela trilha. Isto fomenta muito a vida longa do trabalho”, pontua. “Esta é uma turnê modesta, mas muito sincera, na terra de Lupicínio, com honra e emoção”, finaliza. Da capital gaúcha, a montagem deverá seguir pelo interior de São Paulo e em outubro estará no Rio de Janeiro. 

Sobem ao palco Anna Toledo como Luzita; Danilo de Moura no papel de Alves; Jonathas Joba, de Liduíno; Lola Fanucchi, de Maria Rosa; Maria Bia, de Linda; Sergio Rufino, de Orlando e Piero Damiani é o “Seu Maestro”, que ao mesmo tempo em que assume o piano, ao lado dos colegas de banda, Jeferson de Lima (violão) e Ricardo Berti (percussão). 

 

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