Canções como "Bohemian Rhapsody" e "Don't Stop Me Now", escritas por Mercury, entraram no panteão do rock e uma nova geração de artistas, entre eles Lady Gaga, Robbie Williams, Foo Fighters e Muse, reivindica a influência do grupo. Os shows em que Mercury cantou "We Are The Champions", "Killer Queen", "Crazy Little Thing Called Love" foram momentos antológicos.
E "We Will Rock You", a comédia musical lançada em 2002 que resgata os sucessos do Queen, foi exibida no mundo inteiro e ainda continua em Londres. Um filme sobre Freddie Mercury também é preparado. "Sua morte parece ter sido apenas um avatar em sua carreira", escreveu recentemente o jornal The Independent on Sunday.
Luta contra a Aids
Mercury morreu aos 45 anos, em Londres, no dia 24 de novembro de 1991, de uma pneumonia agravada pela Aids, contraída muitos anos antes. "Mesmo não estando mais aqui fisicamente, ele está mais presente do que nunca", declarou Brian May, o guitarrista do Queen, em setembro, quando o cantor completaria 65 anos. "Ele devorava a vida. Ele festejava a cada minuto. E, como um grande cometa, deixou atrás de si um rastro de luz que brilhará ainda por muitas gerações."
Em Montreux (Suíça), na beira do Lago Léman, existe uma estátua de Mercury com o punho apontado para o céu, uma postura comum durante seus shows. O cantor homossexual, que sustentava um visual extravagante – bigode, cabelo alisado e camisa regata, com o peitoral a mostra – por muito tempo escondeu a doença e o sofrimento e não se abalava jamais.
Em uma entrevista em 1987, ele disse que não tinha nenhuma vontade de virar um velho rico e solitário: "Eu vivi plenamente minha vida e se eu morrer amanhã, não ligo. Fiz tudo o que tinha que fazer." Na véspera da morte ele revelou, em um comunicado, que tinha Aids. Poucas horas depois, mergulhou no coma. Seu caso ajudou para a tomada de consciência sobre a devastação do vírus e a luta contra a estigmatização dos doentes.
Ele nasceu em 1946 em uma família de origem indiana que vivia na ilha de Zanzibar. Freddie Mercury se chamava Farrokh Bulsara e recebeu uma educação tradicional britânica em um pensionato indiano. O adolescente tímido foi para Londres com a família fugido da revolução de Zanzibar em 1964.

Cantor era conhecido pelo visual extravagante e camisa regata | Foto: Jean-Claude Coutausse / AFP / CP Memória
Queen sem Freddie Mercury
Viver sem Mercury foi difícil para os outros membros do Queen, que tentaram, em vão, cortar a ligação. Brian May e Roger Taylor, baterista, finalmente aprenderam a lidar com a herança, sem John Deacon, o baixista, que abandonou a carreira. Em 2005, eles decidiram reformar o Queen com Paul Rodgers, ex-vocalista do Free, mas com um nome diferente "Queen + Paul Rodgers".
A tentativa resultou em um novo álbum em 2008, "The Cosmos Rocks". Realizaram uma longa turnê europeia, até Rodgers retomar a carreira solo. Eles tocaram para 350 mil pessoas na Ucrânia, sinal que Freddie Mercury e o grupo ainda ocupam um lugar especial no universo do rock.