O gaúcho Vitor Kley lança, nesta sexta-feira, 25, o álbum “As Pequenas Grandes Coisas”, envolvendo ritmos latino, MPB, samba e pop rock. São 11 faixas autorias que consolidam a evolução pessoal e criativa do artista. Além disso, uma das canções conta com a participação do filósofo Clóvis de Barros Filho.
Pela primeira vez, o cantor assina a produção musical, ao lado de Paul Ralphes, Giba Moojen, Marcelo Camelo e Felipe Vassão. Em entrevista ao Correio do Povo, Vitor detalhou o momento da construção do álbum.
Correio do Povo: O álbum conta com 11 músicas autorais. Como foi o processo de criação?
Vitor Kley: “É sempre incrível poder lançar álbum, um conceito, uma filosofia de vida. “As Pequenas Grandes Coisas” vêm para ser algo além da música. Uma das faixas desse álbum, a “Segredos", que é a nona faixa, ela surge antes de “O Sol”. Tu vê como a música nunca morre. Ela está sempre presente, sempre viva. A escolha dessas faixas foi muito complicada. Cheguei com 35 faixas e depois fomos diminuindo. Eu e o diretor ouvimos tudo e ele falou: ‘Vitor, temos que chegar em 10, 11 faixas no máximo’. Ele queria 10. Falei: "Pô, vamos [deixar] 12". Aí ele: "Não, então vamos 11". Ficou o nosso time de futebol.”
Essas 35 faixas que tu apresentou para o produtor, eram tuas também?
VK: Eram todas minhas. Todas as músicas sou eu que escrevo. Tem algumas que eu tenho várias parcerias de compositores. Como “Carta Marcada”, que tem mais cinco compositores. Em todas [as músicas] eu gosto que tenha a minha mão ali porque eu acho que faz parte do DNA.
Sobre o processo criativo num mundo de inteligências artificiais. Tu utiliza alguma ferramenta?
VK: “‘As Pequenas Grandes Coisas’ é um álbum de canções. Na minha cabeça, a canção parte da minha experiência de vida de voz e violão. Mas tem momentos que sim, tenho bloqueio criativo. Em uma das faixas do álbum, a “Arco-íris”, teve um momento em que eu falava: "eu preciso de um arranjo de corda”. E eu não toco cordas. Recorri a uma plataforma para pegar um arranjo de lá e colocar na parte que imaginava, para ver se fazia sentido. Mas a gente regravou aquele arranjo. Então, teve sim uma ajuda.”
Como foi o processo de escolha das faixas?
VK: “Eu sempre acho este um dos processos mais complicados, mas obviamente, com o passar do tempo tu vai pegando a ‘manha’. Um ponto crucial é confiar nas pessoas certas. Quando começa o processo de ‘As Pequenas Grandes Coisas’, eu converso com o Paul Ralphes para ele ser o diretor junto comigo desse álbum. Além do meu irmão, o Bruno Kley, é meu empresário. Gosto muito de trabalhar em três pessoas porque tem o desempate. Teve músicas que eu não vou votei e entraram no disco porque eles votaram. Só tem uma música em especial, a ‘Arco-íris’, que eu bati no peito e falei: ‘Essa aqui tem que estar’. Nas demais, houve uma votação.”
“Vai Por Mim” tem uma relação forte com o teu pai. E tem a participação do filósofo Clóvis de Barros Filho. De onde partiu esse convite?
VK: “É a faixa mais poderosa do álbum. Ela já era poderosa antes da partida do meu pai e hoje ela se torna mais poderosa com a energia dele presente ali. Quando eu fiz a pré-produção da faixa, eu vi o trecho de uma entrevista dele [Clóvis de Barros Filho]. Eu peguei aquele trecho, colei ali na pré-produção e não conseguia mais ver a música sem aquilo. A oportunidade que eu tive de mostrar para o pai a música foi no velório dele. E foi muito especial. Parece que eu ouvi ele falando para mim: ‘A vida é para frente, a gente vai ajudar muita gente com essa música’. Missão cumprida.”
É a primeira vez que tu assina a produção musical. Qual é a diferença se comparado aos álbuns anteriores?
VK: “Vejo nitidamente a evolução de ‘A Bolha’ para ‘As Pequenas Grandes Coisas’. A minha entrada na produção se deve muito ao meu irmão e ao Paul Ralphes. Quando eu chego para eles e mostro as as canções, o Paul foi o primeiro a falar assim: ‘Vitor, tu tem que assinar essa produção. Tá tudo aí. Isso é o justo.’ Tempos atrás eu tinha essa coisa de me auto-sabotar. Eu não achava que eu era produtor. Até que chega o Paul, que é eu super admiro, e me fala isso. Foi um voto de confiança. E tem um ponto principal: para as pessoas que gostam de me ouvir, que gostam da minha obra, do meu trabalho, tem mais de mim ali. Está ali cada vez mais a minha presença.”
E é algo que tu pensa assim em seguir fazendo?
VK: “Com certeza. É uma coisa que é quase uma inquietude que eu tenho dentro de mim. Eu já tinha assinado a produção de outras bandas, mas meu trabalho é a primeira vez.”
Quando o álbum virá para o RS?
VK: “Quero muito, muito ir para Porto Alegre com esse show. A gente tem data marcada mais para frente, para o segundo semestre. Esse álbum merece rodar os lugares que eu cresci, o lugar que eu nasci, os lugares que se desenvolveu até esse meu DNA artístico, mas também homenagem ao pai. A gente quer fazer uma homenagem a ele na hora da ‘Vai Por Mim’.”
Confira a entrevista no podcast Arte Debater:
Ouça o álbum “As Pequenas Grandes Coisas”:
*Supervisão de Luiz Gonzaga