Nesta quinta-feira, a PUCRS recebe Vitor Ramil para o show de lançamento do novo álbum, “Mantra Concreto”. A apresentação começa às 21h, no Salão de Atos da universidade.
No novo trabalho, o compositor e intérprete gaúcho reúne 15 músicas criadas por ele para versos do poeta curitibano Paulo Leminski. Além dessas novas canções, o show terá no roteiro grandes sucessos de Vitor que ele considera da mesma família das novidades: “Loucos de Cara”, “Não é céu”, “Astronauta lírico”, “Foi no mês que vem”, “Tierra”, “A ilusão da casa”, “À beça”, “Estrela Estrela” e “O velho León e Natália em Coyoacán”, esta última também uma parceria com Paulo Leminski, gravada originalmente em Tambong (2000) e agora regravada no novo disco.
No palco com Vitor Ramil (violões, viola e voz), Alexandre Fonseca (bateria, tablas, percussão e programações) e Edu Martins (baixo sintetizador e baixo acústico). Os dois músicos também dividem com Vitor a produção do álbum “Mantra Concreto”, colaborando na gravação de quase todas as músicas. Além deles, o disco conta ainda com as participações de Carlos Moscardini (violão), André Gomes (sitar e guitarra), Santiago Vazquez (kalimba), Toninho Horta (guitarra), Vagner Cunha (violino e arranjo), José Milton Vieira (trombone) e Pablo Shinke (violoncelo), os três últimos fazem participação especial no show. A iluminação do espetáculo é de Isabel Ramil, a concepção de vídeo e animação de Vini Albernaz e o som de Lauro Maia e Pedro Schmitt.
O álbum "Mantra Concreto" também foi produzido em CD com uma emblemática capa de Felipe Taborda que remete ao construtivismo e cubo futurismo de Rodchenko e Maiakóvski, cujo conceito gráfico também está em cena.
O ano de 2024 marca os 80 anos de nascimento de Paulo Leminski. O show é uma celebração à sua vida e à sua obra. Os ingressos estão à venda no Campus da PUCRS (av. Ipiranga, 6681) e na plataforma Sympla.
Vitor Ramil escreveu sobre o álbum. Leia uma parte do texto em que o artista conta sobre como começou o projeto:
"Em 2021, durante a pandemia, justamente por estar isolado em casa, fui contaminado pela poesia de Paulo Leminski. Certo dia, enquanto lia o poema Sujeito Indireto, passei a mão no violão e minha imunidade baixou. ‘Quem dera eu achasse um jeito, de fazer tudo perfeito’ logo virou canção. Nos dias subsequentes a cena se repetiu com outros poemas. Em três semanas, treze poemas, treze canções: De repente, Teu vulto, Administério, Amar você, Profissão de febre, Palavra minha, Um bom poema, Anfíbios, Será quase, Sujeito indireto, Minifesto, Caricatura, Mantra Concreto.
A contaminação fora brutal. Não demorou para que o contagiante repertório tomasse meus pensamentos. Eu nunca criara um grupo de canções tão coeso em tão pouco tempo. Anos antes já tinha musicado O velho León e Natália em Coyoacán e Uma carta uma brasa através. Agora contava então com quinze canções em parceria com Paulo Leminski. Como não pensar em um álbum?
Assim começou ‘Mantra Concreto’. O nome vem de um poema cujo título foi dado por mim. Muitos poemas de Leminski não possuem título. Os versos de Mantra Concreto remetiam à poesia concreta, que influenciou o poeta. Seu tema, de prece e pressa, com pinceladas entre o mítico e o espiritual, me fez pensar em mantras e no caráter mântrico de muitas das minhas composições, que ganhavam concretude com aquela poesia clara e rigorosa. A expressão “mantra concreto” passou então a representar o conjunto das canções e a sugerir os caminhos para a concepção do álbum como um todo: arranjos, gravações, mixagem, masterização e capa.
O disco seria inevitavelmente uma homenagem a Paulo Leminski, até porque seria gravado e lançado em 2024, ano em que ele completaria 80 anos. Eu não sabia dessa efeméride, que me pareceu meio mágica, feito o meu surto criativo. O que, sim, sabia, era que cada aspecto do trabalho deveria estar contaminado pelo autor e sua poesia.”