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Soares também identifica indícios de que isso pudesse ocorrer em função de uma tendência da indústria pop. “’Smallville’ passou 10 anos contando a vida do Superman antes de ser o Superman. ‘Batman Begins’ mostrou o começo do Batman. Até ‘Diários de Motocicleta’ mostrou o Che Guevara antes de ser o Che Guevara. Existe uma tendência e o filme aparentemente a aproveita.“
Em relação à adaptação dos quadrinhos, o tradutor faz questão de diferenciar aquela realizada por grandes estúdios cinematográficos (como a Fox para o "X-Men") e pelo próprio estúdio que criou os quadrinhos (como a Marvel para “Thor” e “A Bela e a Fera”). Para ele, adaptações da Fox, por exemplo, são focadas em um consumidor médio. “O adolescente que foi ao shopping center tomar um sorvete com os colegas, viu o cartaz e resolveu assistir alguma coisa cheia de efeitos especiais pra passar tempo e fazer guerra de pipocas”, exemplifica.
Já as adaptações da Marvel se diferenciam pela continuidade entre os filmes e a fidelidade ao quadrinho, mesmo também focando no consumidor eventual. “(Esses filmes) tiram muito o chapéu para quem passou anos comprando os quadrinhos e guardando na cabeça minúcias cronológicas”, explica.

Quinto filme da série entra em cartaz nesta sexta-feira em Porto Alegre | Crédito: Fox Century / Divulgação
Atração pelos mutantes
Soares considera que filmes com seres mutantes sempre estiveram presentes no imaginário coletivo, mas de maneiras diferentes. Para ele, atualmente esses personagens representam “os esquisitões da turma”. “São os caras que sofrem preconceito, os incompreendidos. Aquela coisa de que é legal ser diferente”, pontua.
Mas nem sempre foi assim: segundo o ilustrador, originalmente a mutação era apenas mais uma das falhas de origem dos personagens criados por Jack Kirby e Stan Lee. "Um perde o tio e é picado por uma aranha (Homem-Aranha), o outro vai pro meio da explosão de uma bomba gama (Hulk), outros são expostos a raios cósmicos no espaço”, exemplifica. A questão do preconceito foi sendo incorporada ao cinema aos poucos e vira o centro das atenções ao longo dos anos 80.
Wolverine
Para a jornalista de cinema do Correio do Povo Adriana Androvandi, "X-Men – Primeira Classe" cumpre o esperado de uma história de super-heróis, mas o Wolverine de Hugh Jackman faz falta. Apesar do bom desenvolvimento de Xavier e Magneto (inclusive com a imersão dos mutantes em grandes fatos históricos), falta um personagem carismático como o "bad boy" com as garras de adamantium.
Apesar disso, conforme Adriana, a trama e a ambientação (uma passagem pelo nazismo dos anos 1940 seguida da história principal nos anos 1960) envolvem o espectador. A história conta como o regime de Hitler esculpiu Magneto, sob a orientação do Dr. Schmidt, interpretado por um inspirado Kevin Bacon.
Depois disso, os X-Men ainda em formação são arremessados em meio à Guerra Fria, num duplo questionamento interessante: além dos russos, os mutantes também seriam inimigos? Xavier tenta convencer o governo americano em uma missão secreta para evitar um desastre nuclear, em meio à crise dos Mísseis em Cuba.
A história é um prólogo com rostos conhecidos (Fera e Mística), mas também dá espaço para nomes novos: Alex Summers, o Destrutor; Sean Cassidy, o Banshee; e Armando Munoz, o Darwin.
Hollywood pede algumas licenças para a "mitologia" dos quadrinhos em alguns pontos, mas o enredo de "First Class" deve agradar aos fãs. Quem procura um filme de ação encontra efeitos especiais na medida certa e cenários interessantes, recheados de contexto histórico.
Veja trailer de "X-Men – Primeira Classe":