Pela primeira vez, a cantora e compositora canadense Loreena McKennitt, 56 anos, mostrará aos gaúchos a música celta ou new age, como queiram, que já vendeu mais de 14 milhões de álbuns no mundo em 16 registros, 12 de estúdio e quatro ao vivo, além de quatro DVDs. A música de Loreena transcende estilos e ultrapassa fronteiras culturais, sendo chamada de “celta eclética”. A canadense é aplaudida pelo mundo todo por músicas como “The Lady of Shallot”, “Marco Polo”, “Tango to Evora”, “Bonny Portmore”, “Caravanserai” ou “The Mummer´s Dance”, de 1997, que figurou em listas das 20 mais tocadas da Billboard.
A turnê latino-americana começa por Buenos Aires, no dia 25 de outubro, seguindo para Porto Alegre no dia 27; Citibank Hall no Rio de Janeiro no dia 29 e Credicard Hall em São Paulo, nos dias 30 e 31 de outubro. Informações sobre ingressos estão disponíveis no www.ticketsforfun.com.br ou pelo fone 4003-5588.
Nos shows, a cantora, harpista, pianista e acordeonista canadense, nascida em Manitoba, divide o palco com sete músicos, que tocam gaita de fole, cello, hurdy-gurdy, alaúde, guitarra elétrica, percussão, entre outros instrumentos.
Em entrevista ao Correio do Povo, Loreena McKennitt fala do seu início, desde o disco “Elemental”, em 1985, até um papo sobre sua própria gravadora – a Quinlan Road, direitos autorais sobre a música, o repertório da apresentação e a expectativa sobre o show em Porto Alegre.
Correio do Povo – Como foi a sua conexão com a música celta?
Loreena McKennitt – O início do meu envolvimento com a música nunca foi convencional. Por causa dos instrumentos que eu tocava como o acordeon, por exemplo. Minha primeira conexão com a música celta foi quando me mudei de Manitoba (no Canadá) para Winnipeg. Lá eu passei a ir a um clube de folk, com raízes de música irlandesa e escocesa. Eu fiz meu primeiro show neste clube e as conexões com a herança cultural familiar, com as minhas origens, começou a ficar clara. Assim, comecei a propagar este tipo de música pelo mundo todo.
CP – É a sua primeira turnê pela América Latina. Você conhece alguma ligação da música que você faz com a herança cultural do Brasil ou de outro país latino-americano?
Loreena – Não, eu ainda não conheço, mas humildemente me ponho a serviço de aprender o máximo possível da história dos países latino-americanos, do Brasil. Eu tenho um apetite por aprender sobre outras culturas. Aprender sobre a história é um dos principais veículos da minha carreira.
CP – Como será o repertório do show?
Loreena – Como é a minha primeira vez no Brasil, claro que será um apanhado de toda a minha carreira, uma espécie de The Best Of Loreena McKennitt. Quero estar disponível para executar as músicas que as pessoas querem ver e ouvir. Devo apresentar ao menos as canções mais populares como The Lady of Shalott, Tango to Evora, Bonny Portmore, Marco Polo, Caravanserai e The Mummer´s Dance. Vou me sentir como uma criança apresentando o que de melhor fez até agora para um público que ainda não a conhece ao vivo.
CP – Desde o início da sua carreira em 1985, você tem o seu próprio selo de distribuição, o Quinlan Road. Qual é o seu posicionamento em relação à questão dos direitos sobre a música?
Loreena – Me parece que a questão dos direitos sobre a música tem passado muito sobre a velocidade dos avanços tecnológicos. Tudo corre muito rápido nesta área. Acho que o artista precisa se organizar, escolher a melhor forma de divulgar a sua música e principalmente gerenciar sua própria carreira. Eu sempre vou ser contra o download ilegal, pois os artistas dispendem muito tempo, os selos e gravadoras investem muito dinheiro, não é justo. As pessoas querem a música e a indústria fonográfica chegou a um colapso. Não há como prever o que vai acontecer. Eu estou ok, porque cuido das minhas músicas e da minha carreira, mas há uma preocupação com a viabilidade da música e das carreiras daqueles que precisam sustentar as suas famílias por meio da música.
CP – Ao público de Porto Alegre que vai assistir ao seu show no dia 27 de outubro, gostaria que você deixasse uma ou duas frases que resumam o que os fãs vão assistir.
Loreena – Acho que vocês vão assistir ao que de melhor eu produzi na minha carreira. Preparem-se para se divertir muito, para mergulhar na música celta, para descobrir uma outra cultura, com a herança irlandesa e escocesa que eu trarei a vocês, para termos uma troca intensa.